Canelas estão morrendo em “todos os cantos” da cidade

Um fenômeno ainda não identificado está provocando a morte de árvores urbanas em Santo Ângelo. Os primeiros casos foram registrados no ano de 2016

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Canelas (12) (Copy)Amareladas ou secas. A maior parte da população de canelas (cinnamomum) do espaço urbano da cidade de Santo Ângelo está secando, parcial, ou, completamente. Os moradores relatam que observam larvas de besouros, popularmente conhecidas como brocas ou corós.
A espécie não foi, exatamente, identificada pela Secretaria do Meio Ambiente, ou biólogos da cidade. Além disso, outros fatores podem estar causando a doença na planta, segundo a professora de biologia da URI, Nilvane Ghellar Müller, a broca, além de se hospedar e alimentar-se da árvore viva, abre porta para doenças como fungos, vírus e bactérias.
Mas o fenômeno é visível, percebido desde o ano de 2016, quando árvores secaram completamente em poucos dias. Nestes três últimos anos, o fenômeno só aumentou e percebem-se casos em todos os bairros e zona central do município. Os pedidos de poda e remoção de árvores desta espécie são muito superiores, quando comparado com o pedido para retirar outras espécies, confirmou Vera Schmalz, servidora que recebe o público e os pedidos na Secretaria do Meio Ambiente do Município.
Vera também conta que os moradores já levaram as larvas encontradas no interior da planta, no entanto, ainda não foi possível realizado um estudo para identificar qual o tipo de besouro ou broca que está atacando as caneleiras.
Em tese, são larvas de besouros que se alimentam do amido contido na madeira. Elas abrem galerias que se localizam logo abaixo da casca podendo alcançar até mesmo o cerne da árvore. Mas nem sempre, as brocas conseguem matar a planta. Os besouros ao perfurarem a casca da árvore podem estar contaminados com fungos, vírus ou bactérias que encontram caminho livre para infectar a planta, podendo mata-la rápida, ou, lentamente.
Uma análise visual permite identificar que as árvores apresentam uma parte totalmente seca, enquanto os demais galhos apresentam coloração verde intenso (saudáveis), em outros casos, a planta fica amarelada e vai perdendo a vitalidade.
A literatura desta área destaca que as brocas que atacam árvores vivas ou, recém abatidas, são principalmente das famílias Cerambycidae, Platypodidae e Scolytidae. Estes besouros, ao depositarem seus ovos na madeira, inoculam um fungo que servirá de fonte de alimento para as larvas na fase inicial de desenvolvimento. Este fungo é denominado popularmente de Ambrosia, pois são os causadores de manchas ao redor dos orifícios, depreciando muito o valor de venda da madeira.
A professora Nilvane acredita que este fenômeno esteja restrito à cidade de Santo Ângelo, ela afirma ter consultado pessoas, da área da biologia, que moram em cidades vizinhas e não relataram casos semelhantes.

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