Estudantes ajudam despoluir o Riacho Paraíso

Ações permanentes de conservação e conscientização resultaram na recuperação do Riacho Paraíso. Este córrego recebia esgoto residencial de centenas de casas que contaminavam a zona de captação de...

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Riacho Paraíso (5) (Copy)O projeto “Adote sua nascente, limpe seu córrego e a campanha “Não deixem que “caguem” na água que você bebe” devolveram a condição natural da água doce do Riacho Paraíso. Fotos comprovam que ela escoa límpida e inodora até desaguar no Rio Ijuí, pouco antes da bomba de captação que abastece 75% da população de Santo Ângelo. Mas nem sempre foi assim, durante longos anos, esta mesma água era contaminada pelo esgoto de centenas de residências ribeirinhas.
As ações de conservação se intensificaram no ano de 2006 e a união de esforços de entidades e pessoas garantiu o êxito da iniciativa. Uma das campanhas foi liderada pela comissão de Meio Ambiente da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, subseção de Santo Ângelo, quando lançou em conjunto com URI, Departamento Municipal do Meio Ambiente, Sindilojas, CDL, ACISA e Sindicato dos Comerciários a campanha: “Não deixem que caguem na água que você bebe”, tendo em vista que o riacho deságua no Rio Ijuí, antes do local em que a Corsan capta a água para a ETA II, principal estrutura de produção de água potável que abastece 75% das casas de Santo Ângelo.
“Adquiri aquela área de terra e me deparei com um complexo de riachos lindos! Mais completamente cheios de esgoto” afirmou o advogado Paulo Leal, que naqueles anos era presidente da OAB e um dos protagonistas da campanha. Ele relembra que houveram reações diversas, tendo em vista a linguagem direta e popular adotada. “Repercutiu inclusive em noticiários da televisão, afirma Paulo Leal.

“Borboleta azul”
Mas a recuperação efetiva da água doce do Riacho Paraíso ocorreu também com a mudança de hábito dos moradores, estimulada pelas crianças que frequentavam a Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Orlando Sparta de Souza, do Bairro Missões, na época, liderada pela Professora e Diretora Noeli Fátima Spier.
O pontapé inicial da campanha “Não deixem que caguem na água que você bebe” foi adequado aos alunos da escola quando os educadores elaboraram o projeto “Adote sua nascente, limpe seu córrego, eu só tenho este mundo para crescer”. O resultado obtido com as ações deram tanto resultado que o projeto foi premiado, ganhou reconhecimento estadual. No ano de 2011, a Escola recebeu o prêmio de Responsabilidade Ambiental oferecido pelo Instituto Latino-Americano de Proteção Ambiental Borboleta Azul. Naquele ano a cerimônia de entrega foi realizada no Theatro São Pedro, em Porto Alegre.
Alunos e famílias ribeirinhas têm uma relação íntima com este curso de água, sendo protagonistas do processo de conservação, pois uma das nascentes do Riacho Paraíso emerge, justamente, no pátio da escola, que naqueles anos sofria com mau cheiro e problemas ambientais ocasionados pela contaminação do riacho, que recebia esgoto doméstico através do encanamento de águas pluviais.
A professora e ex-diretora Noeli Spier é uma incansável incentivadora do projeto, ela explica que somente com ações permanentes e educativas é possível realizar um trabalho com este resultado. O projeto da escola já está na 13ª edição e a nova diretora da escola Loni Vera Paulus, firmou um compromisso pessoal de dar continuidade ao legado deixado pela direção anterior. Na opinião da educadora Noelli Spier, é necessário a união de forças, ela lembra que o projeto contou com a ajuda da ONG – Eco Global Missões que criou monitores ambientais, ações do Ministério Público, práticas de limpeza periódica do córrego, panfletagem, união dos professores, alunos e pais.
O advogado Paulo Leal percebe que sociedade tem reações e ações que demonstram a perda de noções básicas relacionadas a realidade, “O que ainda hoje me chama atenção é o fato de que as mesmas pessoas que se incomodam com o uso da palavra “cagar” não demonstram nenhuma reação ao ver a “merda” boiando na água”, afirmou Leal.

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