A vergonhosa traição aos lanceiros negros na Revolução Farroupilha

*Adelino Jacó Seibt O negro Justino era um escravo casado com a negra Faustina. Viviam numa grande fazenda de gado em Pelotas. Possuíam 5 filhos: 3 meninos e...

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*Adelino Jacó Seibt

O negro Justino era um escravo casado com a negra Faustina. Viviam numa grande fazenda de gado em Pelotas. Possuíam 5 filhos: 3 meninos e 2 meninas. Quando em vigor a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, a qual durou 10 ano, de 1835 a 1845, o casal viu uma oportunidade em conquistar a liberdade.
Com o consentimento do seu dono, ele ingressou nos Lanceiros Negros, corpo combatente formado por homens negros, os quais lutaram ao lado dos farroupilhas durante a Revolução Farroupilha (1835–1845) no Rio Grande do Sul. Eles foram recrutados entre os negros escravizados emprestados por estancieiros ou capturados dos inimigos de guerra.
Justino, assim como os demais escravos, lutavam principalmente pela promessa de conquista da liberdade e alforria ao término do conflito. Atuavam principalmente na linha de frente das batalhas e eram liderados pelo coronel Joaquim Teixeira Nunes.
A companhia de Justino fazia parte de uma das oito recrutadas, contudo com um esquadrão formal com 408 homens, portanto representavam uma parcela expressiva das tropas farrapas na Revolução Farroupilha.
O escravo Justino e seus parceiros de lança, na verdade, sofreram uma emboscada ocorrida na madrugada de 14 de novembro de 1844, no Cerro dos Porongos (Pinheiro Machado, RS), onde dezenas de lanceiros foram mortos pelas tropas imperiais.
Sim, há fortíssima suspeita de traição apontando para um acordo prévio e secreto entre o comandante farroupilha David Canabarro e o Duque de Caxias, pois desarmaram e, dessa forma fragilizaram a tropa negra antes do ataque, visto que a liberdade prometida a eles gerara resistência política com o fim iminente dessa guerra.
Desarmado, em uma emboscada, Justino, assim como os demais, foram brutalmente mortos.
Faustina recebeu a notícia, da boca do estancieiro, com muita tristeza. Ela pressentia que algo estava mal contado nessa notícia. Nunca viu o corpo do marido morto. Ela e os filhos continuaram escravos na mesma fazenda. Só alcançaram a liberdade 3 anos após a abolição da escravidão no Brasil em 1888. Faustina com mais de 80 anos de idade. Os filhos e as filhas todos acima de 47 anos de idade, nesse período já espalhados pelo Rio Grade do Sul afora.
Joana, uma bisneta de Faustina, pesquisando em livros da biblioteca de uma escola pública, descobriu que seu bisavô fazia parte dos lanceiros negros. Assim descobriu a falsa promessa feita ao bisavô Justino e à bisavó Faustina. Eis que havia razão de ser no pressentimento da bisavó.
Neste ano de 2026, em mais uma Semana Farroupilha no Rio Grande do Sul, poucos sabem da traição feita aos lanceiros negros que lutaram bravamente sem conquistar a própria liberdade, bem como dos respectivos familiares.
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