O golpe – Parte I –

Por Adelino Jacó Seibt Os golpistas aplicam golpes frequentes usando vítimas no celular ou nas redes sociais. A cada período usam táticas diferentes e tentam lesar vítimas. Depois...

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Por Adelino Jacó Seibt

Os golpistas aplicam golpes frequentes usando vítimas no celular ou nas redes sociais. A cada período usam táticas diferentes e tentam lesar vítimas. Depois mudam de tática ou de conversa.
Quem nunca recebeu uma ligação suspeita ou nunca foi chantageado por um golpista? Não sei se é verdadeiro, mas dizem que usam nomes fantasmas, números clonados e que muitas vezes são golpistas agindo de dentro das penitenciárias. Às vezes, as táticas são criativas, por vezes são fajutas e situações há em que até são hilárias. O sucesso ou não do golpe depende de quem está no outro lado da linha. Ou o sucesso é mérito somente do golpista? Tenho minhas dúvidas.
Houve o golpe aplicado por muito tempo do parente distante que vinha fazer uma visita, acidentou-se na viagem e precisa de ajuda financeira. Eu já recebi esse tipo de ligação. Esse contato sempre ocorre numa sexta-feira ou na véspera de um feriado prolongado. O golpista liga num número aleatório de celular e começa o diálogo:
– Alô, parente, adivinha quem está ligando?
A pretensa vítima responde:
– Não sei e nem faço ideia.
Continua a teia de enrolação do golpista para cima da vítima:
– Agora não conhece mais os parentes, acha que é importante. Sou seu parente, moro distante. Adivinha quem é.
A vítima lembra-se de um sobrenome de parentes que residem longe e lasca:
– Deve ser Hoffmann.
O golpista responde até eufórico:
– Isso mesmo. Sabe meu nome?
A vítima ainda confusa responde:
– Não me lembro, mas deve ser filho ou neto da tia casada com Hoffmann que foram para o Paraná há anos.
O golpista pronto para enredar a vítima:
– Isso aí! Estou fazendo uma visita aos parentes. E na estrada, aqui em Passo Fundo, estragou meu carro. Subi num barranco para ligar, estou com pouco saldo e preciso arrumar a camionete. Poderia me passar um PIX para arrumar o carro e colocar um saldo no meu celular? Amanhã quero estar aí na tua casa comendo um churrasco e tomando uma cerveja gelada.
A vítima continua:
– Mas, quanto tu precisas?
O golpista não é muito ganancioso e fala:
– Uns R$ 2.000,00 já quebra o galho. Quando eu chegar aí acerto o valor. Como sou desconhecido aqui ninguém vai aceitar meu cartão. Me quebra esse galho, parente.
Se você entrou na cantilena. Seus R$ 2.000,00 já eram. Caso não caia na conversa, no outro dia de manhã, no sábado, liga novamente.
– Alô, parente, estou aqui em Cruz Alta. Estamos chegando aí, estão em casa?
– Sim estamos em casa.
– Certo. Sabe que deu outro problema na camionete. Vamos atrasar um pouco, vai assando a carne. A alegria em revermos vai ser grande. Quanto tempo não vejo vocês!
Tem os que já começam o fogo e preparam a carne, a sobremesa…Dali a pouco nova ligação.
– Estamos aqui em Ijuí. Deu novo problema. Poderia me passar R$ 1.500,00 nessa senha 324.103.061-85 do PIX? Quando chego aí podemos ir ao banco e sacar o dinheiro para te devolver.
– Certo. Quanto tu precisas?
– Uns R$ 1.300,00 já me ajuda para chegar aí, abastecer, trocar o óleo do carro e arrumar uns probleminhas no motor.
– Certo. Vou passar.
Dali a pouco:
– Alô, parente. Não deu certo?
– Sim, deu certo, passei o valor pedido.
– Mas não entrou aqui. Ué o que houve?
– Estou aqui na Polícia de Santo Ângelo gravando tua ligação e rastreando a chave do PIX.
– Tud… Tud…. Tud…
Cai a ligação na hora.
Ou depois que caiu o valor na chave PIX informada. A vítima liga e fala:
– Alô. Passei o valor. Deu certo.
– Tud… Tud… Tud…
Foi os R$ 1.300 e o parente nunca mais aparece. O fogo está pronto. O almoço fica para a família trouxa, a sobremesa serve para engolir com maior brandura o remorso em ter sido vítima do golpe do parente falso ou do golpe labioso.
Dali uns dias já vem outro golpe mais ardiloso e sagaz.
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