A tiririca é teimosa

Por Adelino Jacó Seibt No ano passado eu resolvi tirar um pedaço de um gramado que havia entre a calçada da casa e a calçada ao redor da...

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Por Adelino Jacó Seibt

No ano passado eu resolvi tirar um pedaço de um gramado que havia entre a calçada da casa e a calçada ao redor da piscina. Chamei o pedreiro e ele logo entendeu o serviço a ser realizado. Já aproveitamos para deixar a nova calçada ao nível da calçada da piscina, isso consistia em tirar um pedaço de grama onde haviam algumas imperceptíveis tiriricas também.
Ocorre que existia um suspiro da parte hidráulica da casa que vai à fossa. O pedreiro sugeriu preservar esse acesso e conexão, caso desse um problema futuro na parte hidráulica ou necessidade em acessar a tubulação dos banheiros e vasos sanitários da casa.
O auxiliar do pedreiro cavou, tirou a grama, aplainou, socou. Depois colocou tranças de ferro, massa e lajotas em cima. Propositalmente ficou uma fresta a fim de retirar a tampa se necessário for no futuro.
Eis que um dia surgiu uma vigorosa tiririca, entre a fresta das lajotas. Ninguém a plantou. Certamente ficou uma batata da tiririca despercebidamente.
Reza um ditado: “Mais teimoso do que alemão”. Mas, há outro ditado que sentencia: “É mais teimoso quem teima com alemão”. Não sei por que esse preconceito com os alemães, nem todos são teimosos. Comprovo, a tiririca é bem mais teimosa. Podem constatar pela foto.
Quem já teve um canteiro de horta com tiririca sabe do que estou tratando. Quem já teve uma grama disputando espaço com a tiririca também sabe do tamanho do problema. Quem já teve a presença da tiririca na sua plantação da lavoura também sabe da gravidade da situação.
Agora você imagina uma tiririca num calçamento de rua! Agora imagina a teimosia da tiririca na calçada do fundo de minha casa! No início eu cortava as folhinhas que despontavam. Agora deixei-a lá e cada dia está mais viçosa. De outra parte, está servindo como inspiração para minha produção literária e para minha vida.
Sei que o colega Noli Hahn, segundo relatou, no nosso último encontro de ex-seminaristas, ao colega Lívio Arenhardt, já teve exemplo da teimosia da tiririca no pátio. Surpreenderam-se, apesar, de ambos serem alemães. Contudo, pelo que os conheço, não são teimosos. Teimoso é o nosso colega João Schneider, esse é alemão, que aprendeu tocar gaita só por duvidarmos que não aprenderia.
Agora sei que a tiririca é um exemplo de teimosia, mas também de persistência, resiliência, preservação da vida, perpetuação da espécie. O que é pior que uma tiririca?
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