M’Bororé – A batalha que mudou a história do Brasil e desenhou parte do mapa argentino

A batalha fluvial de M’Bororé ocorreu entre os dias 11 e 18 de março de 1641 e alterou o curso da história de ocupação territorial na atual fronteira...

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A batalha de M’Bororé foi um ato de resistência dos povos indígenas que viviam nas missões e o êxito dos guaranis na defesa de sua cultura e habitat, juntamente com os Jesuítas Espanhóis,  pôs fim a incursão expansionista dos Bandeirantes Portugueses de São Paulo e mudou o curso da história Brasileira. É considerada uma batalha  fluvial e o confronto envolveu cerca de 10 mil pessoas, o conflito se deu, em grande parte, no Rio Uruguai, atual fronteira entre Brasil e Argentina, na região compreendida entre Porto Mauá até Porto Xavier. O Morro M’Bororé é considerado o marco territorial deste conflito, no lado Argentino a referência é a municipalidade de Panambi.

Ilustração de Clayton Cardoso, quadrinista que no mês de abril lançará a história de M’Bororé contada em quadrinhos.
Ilustração de Clayton Cardoso, quadrinista que no mês de abril lançará a história de M’Bororé contada em quadrinhos.

A batalha de M’Bororé ocorreu entre os dias 11 e 18 de março de 1641 e alterou o curso da história de ocupação e exploração territorial das regiões jesuíticas. Portanto, este fato histórico completou 380 anos essa semana. Na opinião de alguns historiadores locais como José Roberto Oliveira, a batalha de M’Bororé se constitui uma história memorável. Foi um conflito fluvial incomum, pois os indígenas não costumavam usar armas de fogo.

Além disso, a vitória do povo missioneiro (Jesuítas e Indígenas Guaranis) naquela batalha resultou em um processo de inibição da prática de ascensão econômica e conquista territorial portuguesa com base na escravidão destes povos originários.

Para os Argentinos o significado da batalha é ainda mais importante, pois representa a defesa do território que hoje constitui a República Argentina, neste contexto, o Rio Uruguai, próximo ao Morro M’Bororé, representa o limite do avanço português sobre o território com presença espanhola.

A batalha

Do lado bandeirante este embate contava com 6.800 pessoas e do lado Jesuítico Guarani, 4300 (há narrativas históricas que contabilizam outros números). José Roberto Oliveira narra que apenas 250 bandeirantes voltaram para São Paulo e a batalha de M’Bororé inibiu um sistema escravocrata praticado por classes dominantes (portugueses) naquele tempo no Brasil.

Vale lembrar que naqueles anos não havia um território demarcado e nem as fronteiras entre Brasil Argentina e Uruguai, na prática, existia nestas regiões uma única nação missioneira. Além da história mais conhecida que sita os Sete Povos das Missões, José Roberto Oliveira, relembra que naqueles anos se estabelecia a primeira fase das missões jesuíticas com 18 reduções instaladas do lado brasileiro no Rio Grande do Sul. Destaca ainda uma recente descoberta histórica que atribui a morte do provincial dos jesuítas em terras que hoje pertencem a fronteira de Entre-Ijuís e Eugênio de Castro, como o estopim para o ato de resistência e o uso de armas pelos jesuítas.

Uso de armas de fogo

A tese de Sandra Schmitt Soster do Instituto de arquitetura e urbanismo da Universidade de São Paulo (2014) faz menção aos motivos que levaram os jesuítas adotarem o uso de arma de fogo “as constantes investidas bandeirantes sobre as Reduções tornaram-se razão suficiente para que a Corte Espanhola permitisse o uso de armas de fogo pelos habitantes missioneiros; o que, segundo o padre Arnaldo Bruxels (1984), não era permitido até 1640, mas fez-se necessário para o cumprimento de uma das principais funções das Missões Jesuíticas: a defesa do território correspondente à Coroa Espanhola, como já mencionado. O autor ainda comenta que até esta data, “[…] a proximidade entre os povos era imprescindível para a segurança comum” (BRUXELS, 1984, p. 23, tradução nossa25), o que pode ser constatado inclusive durante as fugas, quando habitantes de Reduções atacadas puderam abrigar-se em outras mais distantes”, cita a autora .

Os bandeirantes após a batalha

A historiadora Joelza Ester Domingues escreve em seu blog o seguinte texto “Os bandeiraantes abandonaram as incursões de captura de índios no sul e partiram em busca de ouro e pedras preciosas nos territórios que hoje correspondem a Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Para os jesuítas espanhóis, apesar das enormes perdas (das 63 missões fundadas, somente 23 resistiram), a vitória de M’Bororé inaugurou um longo período de paz que assegurou o crescimento e a expansão de sua obra missioneira na região platina por mais cem anos até a expulsão dos jesuítas em 1767. A consolidação territorial das missões jesuíticas, por sua vez, contribuiu para assegurar o domínio espanhol na região platina.

Mais informações – https://ensinarhistoriajoelza.com.br/batalha-de-mborore-os-guarani-derrotam-os-bandeirantes/ – Blog: Ensinar História – Joelza Ester Domingues

José Roberto Oliveira relata, com bases em suas pesquisas, que Padre Montoya foi um dos protagonistas deste fato, conseguiu autorização para trazer da Europa um canhão e 300 fuzis, além disso, treinou juntamente com militares jesuítas, que entraram na Companhia de Jesus para desenvolver as táticas de defesa e guerra, ensinadas para os indígenas locais.

Edição | Jornalista Marcos Demeneghi

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