Por Adelino Jacó Seibt
A mãe pata e o pai pato ficaram preocupados com a filhinha, pois a amada patinha não crescia. O dono do sítio onde viviam a pata e o pato, depois de um tempo percebeu esse problema e colocou remédio com hormônios de crescimento na comida e na água, mas pouco adiantou. A patinha cresceu um pouquinho mais, porém ela tornou-se uma pata com nanismo.
A mãe pata e o pai pato ficaram preocupados com a filha, da segunda ninhada, pois a amada pata crescia demais. O dono do sítio onde viviam a pata e o pato, depois de um certo tempo percebeu esse problema e colocou remédio na comida e na água para frear o crescimento, mas pouco adiantou. A pata deixou de crescer um pouco, mas tornou-se uma pata com gigantismo.
Até era estranho ver uma patinha pequeninha e outra pata grandona caminhando lado a lado. Mas eram muito amigas, felizes e o orgulho da mãe pata e do pai pato.
A mãe pata e o pai pato ficaram preocupados com uma filha que nasceu sem deficiência na terceira ninhada, mas o gato comeu seu pé e sua perna quando ainda pequena. O dono do sítio onde viviam a pata e o pato era muito sensível e colocou uma prótese na filha da pata e do pato, desta forma, ela parecia igual às outras, contudo, assim como ia crescendo, a cada pouco a prótese era adaptada e aumentada pelo cuidadoso dono.
A mãe pata e o pai pato ficaram preocupados com uma filha que nasceu sem deficiência, mas o gavião a raptou, numa distração deixou-a cair e levando nas garras a asa. O dono do sítio onde viviam a pata e o pato vendo a situação colocou uma prótese no lugar da asa da filhota, disfarçando-a com penas. Ninguém percebeu que uma das asas era artificial. Só não conseguia alçar voos rasantes como os irmãos patos e as irmãs patas.
A mãe pata e o pai pato ficaram preocupados com uma filha que teve os olhos cegados com o xixi venenoso de um sapo. O dono do sítio onde viviam a pata e o pato percebeu, mas não conseguiu fazer implante de córneas ou olhos. Desta forma, a mãe, o pai, as irmãs e os irmãos ciscavam, procuravam e avisavam com grunhidos que ali havia alimentação disponível para ela. Ninguém percebia que era diferente, somente era um pouco mais magra, pois comia menos que os outros patos.
A mãe pata e o pai pato ficaram preocupados, pois uma filha engoliu um anzol ao devorar um peixe da lagoa. O dono do sítio onde viviam a pata e o pato conseguiu extrair o anzol, ao perceber algo estranho no pescoço da patinha. Contudo, comprometeu as cordas vocais e a pata ficou afônica. Não conseguia acompanhar a cantoria do coral dos patos na lagoa. Mesmo assim, espichava o pescoço e fechava os olhos como se cantasse, mas nada saía da garganta danificada. Ninguém fazia conta disso. Viviam felizes na lagoa.
A mãe pata e o pai pato, assim como o dono do sítio onde viviam a pata e o pato, contudo, não se preocupavam se o filhote nascido era macho ou se era filhota fêmea, se era branco ou branca, se era preto ou preta, se era vermelho ou vermelha, se era colorido ou colorida. Todos eram patas e patos, viviam juntos na mesma lagoa alegrando o dono e a dona do sítio, suas netas e netos e outras pessoas que vinham visitar o sítio.
