“A Princesa Assíria e os Absintos” estreou no Cine Cisne

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Na tarde do último sábado, dia 26, no Cine Cisne, aconteceu o lançamento do filme santo-angelense “A Princesa Assíria e os Absintos”, uma produção do escritor Paulo Prado. O longa de 90 minutos de duração, com muita aventura e praticamente apenas crianças atuando, recebeu dezenas de cinéfilos que estavam curiosos para ver o filme produzido na Capital das Missões. Segundo Paulo Prado, “não foi raro me encontrarem nos fins de semana com três ou quatro personagens vestidos a caráter dentro do carro, demandando uma barca, um rio, uma plantação. As crianças curtem e eu sou, de todos, o mais empolgado. Viajamos pela região colhendo belas imagens. Estou absolutamente só neste projeto, recebendo apenas a mão profissional do Giovane Lima, da Making Of, na edição do filme”.
O diretor Paulo Prado relata que nas filmagens há cenas com um Ford, modelo T, de 1927, carro impecável, cedido pelo Moacir Mitri para as filmagens. “Não vou dar detalhes do filme para deixar a expectativa, mas afirmo que, pela exiquidade de recursos, pelos poucos materiais empregados, conseguimos alguma coisa de bom, de lírico e lúdico”, disse.
O resultado dessa experiência, segundo o diretor Paulo Prado, não é o filme em si, totalmente imprevisível em sua trajetória, mas sim a oportunidade em fazê-lo, de viver de um sonho comum. “Confesso, fui ao longo do último ano, uma criança novamente. E essa experiência foi maravilhosa”, relata.
Paulo revela que ao realizar a filmagem em uma lagoa, as águas estavam límpidas, porém quando as crianças pisaram o fundo, o barro revolto tingiu as águas de marrom. O resultado disso foi a perda de muitos figurinos após as filmagens, eis que de nada adiantou lavá-las. O barro era tão intenso e fétido que todas as roupas usadas durante a gravação desta cena foram danificadas e perdidas. Mesmo assim, as imagens ficaram ótimas. “Houve um momento tenso durante as filmagens, onde um proprietário chegou cinco minutos após a nossa equipe. Por pisarmos suas terras, nos largou os cachorros. Era na beira da estrada e não sabíamos a quem pertencia. Jamais imaginamos que um ato tão inocente poderia ferir a fera. Não vou  dar nome aos bois. O proprietário não deixou nem explicarmos que apenas estávamos neste local para realizar a cena da Lua Cheia. Mesmo vendo os meninos vestidos de piratas e a câmera com tripé não quis nem nos escutar”, conta.
Paulo salienta que “na realidade realizamos um tour pela região, onde contemplamos lugares históricos de nosso município, mostrando aspectos que, às vezes, nos passam despercebidos. Isso tudo prova que, quando desejamos algo, nada é impossível, basta querer, acreditar e fazer com muito amor. O resultado está aí para ser analisado e conferido”.
Segundo Prado, ao dirigir “A Princesa Assíria e os Absintos”, o escritor está vivendo, ao lado de seus filhos, duas histórias distintas. A real, separado, tem os filhos morando com ele, a qual a relação pai e filho é de extrema parceria e carinho. A outra, é fictícia. Eis que aficionado por cinema, ele chega ao fim de um projeto após um ano de trabalho. Trata-se da produção deste filme, um longa-metragem. E, confesso, nessa aventura estou de corpo e alma participando das brincadeiras e da história que vamos construindo. Há um ano, os meus finais de semana são de aventura. Preparar o script, juntar as fantasias, as armas, os adereços de piratas, de rei, rainha, princesa… e sair por aí demandando algum lugar na natureza para filmar. Como Dom Quixote de la Mancha, deixei-me governar pela fantasia. Perdi o limite entre o imaginário e o real.”
No livro da Academia Santo-angelense de Letras, “Memórias Esparsas”, lançado na última Feira do Livro de nosso município, é abordado um artigo sobre o cinema em Santo Ângelo. “Praticamente um século de sua presença e os nove cinemas aqui edificados. Outro projeto que nos propomos é registrar em um documentário as inúmeras cenas do passado colhidas em outras décadas. Temos já algumas delas e reiteramos o pedido de alguém tendo-as nos contatarem para a transcrição e a sua digitalização. Qualquer tomada da cidade, de outros tempos, é de grande valor! Aceita um mate? Que tal ver um filme santo-angelense de fundo de quintal?”, disse.

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