Sábado 17/11/12

“Nós nos apegamos às coisas que conhecemos; no entanto, só se pode adentrar o campo do desconhecido quando o conhecido deixar de existir.” Radha Burnier, escritora, pensadora e...

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“Nós nos apegamos às coisas que conhecemos; no entanto, só se pode adentrar o campo do desconhecido quando o conhecido deixar de existir.” Radha Burnier, escritora, pensadora e filósofa contemporânea

Nascemos e crescemos num círculo familiar, em que somos nutridos, agasalhados e protegidos, numa relação amorável que, ao passar dos anos, tende a aumentar e se consolidar. É o primeiro estágio em que experimentamos o sentimento de dependência e apego. Podemos dizer que é aqui, na família, que descobrimos o sentimento mais puro e nobre, que podemos definir como amor.

Recuando aos tempos primevos, quando as famílias formavam os grupos étnicos, ali o núcleo familiar era o referencial que sustentava por toda uma vida e muitas gerações, cada um dos seus membros. Então, nos parece que, nesse tempo os sentimentos egocêntricos eram alargados, escapando da pessoalidade de um patriarca, por exemplo, para se materializar no grupo.

Essa situação como sabemos, ao longo da história, nem sempre era interessante, pois que, quando um chefe de clã caía em desgraça, todo o seu grupo familiar era execrado, quando não banido da comunidade. Não raro era forçado a se autoexilar, passando a sofrer toda sorte de privações, inclusive liberdade de ir e vir.

Comparando esse tempo ao de hoje, podemos concluir que lá os sentimentos dos laços estreitos de família eram quase de exclusão, menos solidários, formando bolhas de interesses antagônicos ao bem social. Tal apego se contrapunha à universalização do “eu”, se concentrando de forma egoística nas famílias. Disso resultava, inexoravelmente e a bem de corrigenda cósmica, uma ruptura mais dolorosa dos laços que unia cada membro do clã.

Quando nos parece que fazemos a coisa certa e tendemos a nos perpetuar no equívoco, o Cósmico, por seus meios sábios, busca introduzir em nosso meio, de tempos em tempos, os chamados avatares ou iluminados, com a incumbência de romper na criatura humana os grilhões que a prendem na sua própria mesquinhez, a fim de que facilite desabrochar, em si, o seu “eu universal”, e assim se expanda sua capacidade de amar fora dos laços familiares.

Fazendo um retrospecto sobre tudo o que sabemos, seja por conhecimento, seja por reminiscência instintiva, podemos afirmar que homens como Siddharta Gautama, Krishna, Jesus Cristo, Abdel Kader, e outros tantos, acenderam lumes para que possamos vislumbrar o caminho para o autoconhecimento, libertando-nos dos sentimentos de apreensão, de possuir e mais possuir, enquanto tantos vivem na extrema miséria, e, ao tempo da leitura deste artigo, dezenas de crianças tenham morrido de fome.

 

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