A força da resistência indígena em Santo Ângelo

Celebrado em 19 de abril, o Dia dos Povos Indígenas é mais do que uma data no calendário: é um chamado à reflexão sobre a história, a cultura...

136 0

Celebrado em 19 de abril, o Dia dos Povos Indígenas é mais do que uma data no calendário: é um chamado à reflexão sobre a história, a cultura e, sobretudo, a realidade contemporânea das comunidades originárias do Brasil. Em Santo Ângelo, essa realidade ganha rosto, nome e território na Aldeia Guarani Tekoá Pyau, localizada a cerca de 30 quilômetros do município, na Ressaca da Buriti, no distrito de Buriti.

Com aproximadamente 20 famílias e cerca de 80 pessoas, a comunidade mantém viva a cultura guarani, preservando tradições, saberes e a conexão com a terra. Entre os avanços conquistados ao longo dos anos, destacam-se a presença da escola estadual indígena Os 7 Tava Mirim, que oferece ensino bilíngue com professores indígenas, além de melhorias na infraestrutura, como moradias, acesso à energia elétrica e água encanada. A inclusão no programa PAA Indígena, com a distribuição mensal de alimentos, também representa um importante apoio à segurança alimentar das famílias.

Apesar dos avanços, os desafios ainda são significativos. Liderada pela cacica Miguelina Romeu, a comunidade enfrenta dificuldades principalmente no acesso à cidade. A ausência de transporte público ou linha de ônibus regular limita a comercialização do artesanato, dificulta o acesso a serviços de saúde e compromete necessidades básicas do dia a dia.

Outro obstáculo é a precariedade da estrada de acesso à aldeia. Por ser de terra, o trajeto torna-se praticamente intransitável em dias de chuva, isolando ainda mais a comunidade. Diante disso, há mobilização junto ao Ministério dos Povos Indígenas para a busca de recursos que viabilizem o asfaltamento de cerca de 11 quilômetros, ligando o distrito de Buriti até a aldeia.

Além disso, a ampliação da área territorial onde a comunidade está inserida surge como uma necessidade urgente. A expansão permitiria acolher novas famílias, fortalecer a produção da agricultura familiar e garantir melhores condições de vida, respeitando o modo de vida tradicional.

Neste 19 de abril, mais do que celebrar, é preciso reconhecer, valorizar e dar visibilidade às demandas dos povos indígenas. A história da Tekoá Pyau é um retrato de resistência, dignidade e luta por direitos, um lembrete de que o futuro passa, necessariamente, pelo respeito às raízes que sustentam a identidade brasileira.
WhatsApp Image 2026-04-15 at 17.28.14 (1)

WhatsApp Image 2026-04-15 at 17.28.14

Neste artigo

Participe da conversa