Jumir não tem teto e encontra na arte um motivo para viver

Este catarinense perdeu a casa e a família em um deslizamento de terras no ano de 2007 e agora faz do lixo das ruas o seu sustento

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Jumir da Silva não tem teto e perdeu o pai, a mãe, três irmãos e a esposa soterrados no deslizamento de um barranco em Blumenau, Santa Catarina, durante as chuvas de 2007. Agora viaja pelo Brasil como modo de superar a perda e também garantir o sustento ao vender a sua arte feita com plástico reciclado.
Ele afirma que tem um casal de filhos (gêmeos) e ajuda sustentar com a renda que recebe com a venda dos brinquedos reciclados que produz. Enquanto junta as garrafas plásticas descartadas, demonstra o curioso e nada discreto carro de garrafas pet, são necessários 10 garrafas para confeccionar o carrinho do Jumir e o preço de venda é de R$ 10.
O carrinho é feito com diferentes formatos de garrafas descartadas, inclusive o fio usado para puxar o brinquedo é feito com o plástico de uma garrafa de água sanitária cortada em caracol.
Com uma borrachinha de amarrar dinheiro ele liga dois eixos e permite que uma élice gire enquanto o carrinho é puxado.
O brinquedo pode ter aparências diversas, dependendo do tipo de garrafa que encontra na rua e usa nas suas obras.

O mundo é a sua casa
Mas Jumir não tem paradeiro certo, além de Santo Ângelo ele viaja por cidades da região, como Entre-Ijuís, Coronel Barros, Tenente Portela, Iraí, Horizontina, já viajou por estados brasileiros como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Quando estava em São Gotardo, MG, foi personagem de uma reportagem da SGTV e o vídeo postado no Youeube já alcançou 621 mil visualizações .

O “BRICÃO” EM SANTO ÂNGELO
Jumir descobriu o Brique da Praça e fala dos seus negócios. “No final de semana consigo melhorar a renda por causa do “Bricão”, ajuda, porque eles não me cobram nada pra vender, também vendo bem lá em Entre-Ijuís e Coronel Barros”, disse o artesão.
Há cerca de três meses este cidadão do mundo está na região de Santo Ângelo e fala da experiência de viver nas ruas da cidade. Ele identifica que a cidade tem um elevado número de usuários de drogas e dormir na rua se torna perigoso. Conta que dependendo do lugar que dorme pode até receber ameaças na tentativa de extorquir dinheiro, mesmo assim, afirma que consegue lugares seguros para dormir e sente-se bem acolhido na Capital das Missões.
Na manhã de terça-feira, dia 12, passeava pela Av. Brasil, foi quando contou sua história. O artesão elege um lugar para ficar durante o dia e realizar a sua produção e já despertou a solidariedade de pessoas que o ajudam com alimentação e roupas. “Não preciso pedir nada”, ele narra que as pessoas o ajudam espontaneamente, ganha roupas da população e consegue tomar banho em lugares de assistência social, disponibilizados pelo poder público e a venda dos carros à R$ 10 também ajuda no sustento.

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