* Adelino Jacó Seibt
Quando a galinha aventureira chegou ao pátio frontal em que mora minha irmã, como não há muito espaço, há muitas plantas, flores e verduras (mais de cem espécies) foi amarrada pela perna com um barbante num esteio de uma construção meia-água onde se guarda de tudo.
Contudo, a cada pouco a galinha corria pelo espaço sob ameaças dos latidos nervosos do cachorro Saimon pisoteando e arrancando as plantas no apertado espaço. Novamente era amarrada, com mais nós nos barbantes, mas quando menos se esperava mais uma vez estava solta, notabilizando-se como uma exímia desatadora de nós, além de aventureira.
Depois de chocar a dúzia de ovos foi colocada numa gaiola com os seus pintinhos. Dos doze ovos, três não descascaram, três pintinhos os gatos ladrões comeram, dois, o Saimon devorou, os outros desapareceram misteriosamente. Desta forma, sobrou somente um pintinho junto à galinha aventureira desatadora de nós. Por desatino, igualzito à mãe?
Agora, a próxima meta da minha irmã é arrumar um galo companheiro, deixar a galinha botar mais ovos azuis ou brancos e colocá-los novamente em choca numa ninhada de ovos legítimos dela e em condições de descascar.
Porém, terá de ficar mais vigilante com os gatos predadores noturnos, com a sapequice do cachorro Saimon e deixá-la protegida num local seguro a fim de ver se mais descendentes procriem-se, botem mais ovos azuis e ampliem a descendência. Porém, acima de tudo, ainda torcer para as filhas e netas não se transformarem também em galinhas aventureiras desatadoras de nós ciscando o minúsculo pátio ou sumindo mundo à fora.


