É! NÃO SE BRINCA COM VEVENO, XIRUZADA!

*Adelino Jacó Seibt Seu Gomercindo resolveu treinar para o desfile da Semana Farroupilha. Encilhou seu pingo Faisca e saiu a trotear na estrada de chão rumo ao Distrito...

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*Adelino Jacó Seibt
Seu Gomercindo resolveu treinar para o desfile da Semana Farroupilha. Encilhou seu pingo Faisca e saiu a trotear na estrada de chão rumo ao Distrito Alegre.
Lá numa altura da estrada havia uma poça d’água. O cavalo, com sede, abaixou-se imediatamente para beber dessa água. E, Seu Gomercindo, não muito atento, quando o cavalo se inclinou, caiu exatamente na poça de água. Por sorte, não se cortou com as esporas.
Coitado do pingo Faísca, não conseguiu mais levantar. Em seguida estrebuchou e morreu ali mesmo ao lado da poça d’água. O Seu Gomercindo, com a pilcha toda suja e manchada da poça vermelha, começou a coçar-se abrindo feridas na pele.
Graças, logo veio o socorro. Chamaram um veterinário para diagnosticar a morte do pingo Faisca. E a ambulância do SAMU levou Seu Gomercindo ao Hospital.
O veterinário abriu o cavalo, a buchada saltou para o chão da estrada vermelha, examinou as entranhas, constatou: “ENVENENAMENTO!”
O médico de plantão examinou Seu Gomercindo, após o resultado de inúmeros exames constatou ALERGIA forte de veneno e disse que poderia ter sido pior: “Ainda bem que estava de bombacha, camisa de manga comprida. O veneno não pegou direto na pele do vivente”.
Presumiu-se: “Certamente, com a última chuva a poça que se formou e permaneceu na estrada do Rincão Alegre, estava cheia de veneno dos secantes aplicados nas lavouras próximas”.
Seu Gomercindo tinha a mania de dizer, para qualquer situação embaraçosa: “É! Não se brinca com fogo!” A partir daquele dia começou a falar para todos: “É! Não se brinca com veneno!”
Seu Gomercindo, sentado numa cadeira de abrir, assistia ao Desfile Farroupilha, triste em não poder desfilar e lamentando a morte do pingo Faísca. Cada pouco cuspia no chão, a saliva já verde de tanto chimarrão, dizendo alto: “É! Não se brinca com veneno!”
Desconsolado continuava: “Nem sempre a dose é fraca! Pode matar! Eu me escapei da coceira por modo das minhas pilchas!”
E com lágrimas nos olhos, ajeitando a bomba na cuia do chimarrão, enquanto as invernadas desfilavam, arrematava: “Mas, meu pobre pingo Faísca, nessa hora, os corvos já carregaram! Não se brinca com veneno, xiruzada!”
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