Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto – meu Patrono na ASLE

*Adelino Jacó Seibt A obra mais conhecida e apreciada do escritor brasileiro Lima Barreto pela crítica é Triste fim de Policarpo Quaresma. Nesse livro, de cunho nacionalista e...

68 0

*Adelino Jacó Seibt

A obra mais conhecida e apreciada do escritor brasileiro Lima Barreto pela crítica é Triste fim de Policarpo Quaresma. Nesse livro, de cunho nacionalista e crítico, o narrador mostra vários elementos positivos e negativos da cultura nacional. Começa por apresentar o violão como integrante da cultura brasileira, bem como o tupi-guarani, pois, para ele, essa seria a língua original dos brasileiros. Também a crítica à supervalorização dos brasileiros em relação ao que é estrangeiro, bem como a valorização da linguagem coloquial, característica que o movimento modernista vai abraçar em sua defesa de uma identidade brasileira.
Ademais, o romance é marcado pela ironia e por passagens em que predomina o senso de humor, como nesta: “[…] lhe bateram à porta, em meio de seu trabalho. Abriu, mas não apertou a mão. Desandou a chorar, a berrar, a arrancar os cabelos. … Nosso cumprimento é chorar quando encontramos os amigos, era assim que faziam os tupinambás.”
Ou quando Quaresma é considerado louco por escrever um documento oficial em tupi-guarani. Essa associação da loucura com o desenvolvimento da intelectualidade parece, portanto, ser típica da cultura brasileira, que vê no conhecimento um risco para a sanidade mental, o que, de certa forma, parece enaltecer a ignorância.
O preconceito racial também é mostrado, como parte negativa da cultura brasileira, quando o personagem Ricardo Coração dos Outros se incomoda com o fato de que ele via um preto famoso tocar violão, era que tal coisa ia diminuir ainda mais o prestígio do instrumento.
No mais, essa obra de Lima Barreto traça um perfil diversificado e complexo do povo brasileiro, de forma a mostrar sua identidade cultural e seus problemas sociais. Assim, Policarpo Quaresma defende a modinha (cantiga popular urbana e sentimental) como poesia nacional. E o narrador mostra uma cultura formada pela influência indígena e africana, além da portuguesa e de outras nações que começavam a influenciar a cultura brasileira. A identidade brasileira é caracterizada pela diversidade cultural.
A obra também desconstrói a visão romântica que se tinha do interior do Brasil. Problemas sociais que os pré-modernistas decidiram debater e combater, em franca oposição à idealização romântica, e, alguns deles, de forma contrária às ideias naturalistas, que defendiam que a pobreza era uma espécie de “fenômeno natural”. Na descrição do interior, além do mais, está a questão das terras improdutivas, que contribuíam para a pobreza nacional.
Policarpo Quaresma finalmente traz o protagonista para a realidade, quando ele escreve uma carta ao ditador, em que diz o que pensa, e por isso é preso.
No final do romance, fica claro que Policarpo é um herói imperfeito, sujeito às tristezas e à frustração. Seu espírito nacionalista e seu desejo de ver o país crescer são aniquilados. Nesse ponto, a obra de Lima Barreto em nada é otimista, pois demonstra uma realidade brasileira em que a conjuntura política e social contribui não para o crescimento, mas para o aniquilamento de uma nação.
Quem não quer ler o romance pode assistir ao filme Policarpo Quaresma, Herói do Brasil (1998), dirigido por Paulo Thiago e estrelado por Paulo José. A obra retrata o major Policarpo, um patriota visionário que tenta valorizar a cultura nacional e propõe o tupi-guarani como língua oficial, mas acaba tachado de louco pela sociedade.
IMG_7825

Neste artigo

Participe da conversa