Por Adelino Jacó Seibt
Nesta semana passei por um sufoco em sala de aula. Ao aplicar uma Recuperação numa turma de alunos percebi uma tontura. Por sorte, consegui aproximar-me da cadeira e mesinha do docente e sentar-me. A tontura começou aumentar, aumentar, aumentar…
Uma aluna solicitou orientações, só levantei a mão como pedindo para aguardar. Ela percebeu que eu estava amarelo e nada bem. Eu suave e enxugava o suor do rosto com a mão na calça, apesar do frio. Quando pude, tirei o casaco e deixei-o pendurado na cadeira. Alguns alunos da turma perceberam meu estado crítico com os gestos e sinais da aluna que pedira ajuda.
Graças que havia uma monitora de alunos na sala sentada na minha frente. Pedi que me buscasse um copo de água que eu estava com tonturas. Enquanto ela foi ao encalço da água, senti náuseas e vontade de vomitar. Pensei “só me falta agora vomitar aqui na frente de uma turma de 42 alunos?!?” Mas, fui me segurando, limpando o suor do rosto, já com óculos na mesa do docente . Quando a monitora voltou, tomei a água e percebi que eu continuava a suar. Aos poucos fui melhorando com a água refrescante. A monitora abriu as janelas da sala e assim entrou um vento que me deixou até com frio. Nesse momento, acho, quase toda a turma sabia que o professor estava mal.
Nesse momento, chegou a Coordenadora do Serviço de Apoio Pedagógico, SAP, para dar um aviso à turma. Percebeu que eu estava pálido e mal. Dali a pouco já veio uma enfermeira do Campus, Coordenadora do Curso de Enfermagem, verificou minha pressão pelo pulso, depois os colegas do setor de saúde do Campus vieram medir a minha pressão e fizeram teste de glicemia. A pressão estava alta e a glicemia normal.
Mesmo sabendo de que não era apropriado ficar em frente aos alunos naquele estado, não me encorajei a sair da sala, pois tinha medo de cair. Tomei mais água e depois acompanhei os assistentes até o setor de saúde. A monitora na turma e a coordenadora do SAP ficaram de recolher as Recuperações ao final da aula.
Liguei à esposa para vir me buscar. Ela com convalescente de tosse há mais de uma semana. Veio de Rota, pois o carro estava comigo. Não era seguro eu dirigir naquele estado. Antes encaminhei Recuperações para duas turmas da noite. Saímos do IFFar e fui direto ao Hospital da Unimed. Lá fiquei até às 21 horas fazendo exames e recebendo medicações. Os exames nada indicavam de anormal.
No outro dia voltei ao trabalho. Após o intervala fui medir a pressão. Estava alterada novamente. Fui para casa dirigindo o carro, sei que com risco de provocar algum acidente, só consegui chegar ao banheiro e vomitei bastante.
Desde segunda-feira, procuro um médico cardiologista e não encontro. Tenho IPE como Plano de Saúde. Estou pesquisando se há médico cardiologista em Santa Rosa e Ijuí. Aqui só tem horário para o dia 22 de julho, na próxima quarta-feira. Estou acompanhando a pressão nos três turnos a fim de fazer um mapa histórico. A glicemia está normal. A pressão vai e vem. E eu também!
Não posso parar de trabalhar, porque é final de semestre, tenho de corrigir avaliações, recuperações, calcular médias, fazer Exames na sexta-feira à noite e no sábado pela manhã, fechar sistema eletrônico de notas. Escanear as atas, as provas de exames, os diários de classe, fechar o sistema eletrônico, enviar tudo às Coordenações dos Cursos, ao SAP, à secretaria. Nada pode ficar em aberto para possibilitar a abertura de novas turmas no próximo semestre. Sem contar os outros dois compromissos já assumidos para sábado à tarde quase concomitantes e outro à noite.
Minha saúde fica para a próxima semana, quando, enfim há recesso. Até lá tenho de aguentar.
Os alunos foram mal na Recuperação, acho que se assustaram comigo e empacaram! Contudo, todos entregaram a Recuperação antes do final da aula.
Apesar de tudo isso, não pude deixar de achar um tempinho para registrar nesta crônica o sufoco por que passei.
Quem mais já passou por isso tudo? Ou pior?
Eu sei, são muitos que têm histórias e histórias a contar….


