Por que há tantos butiás entre Santo Ângelo e Giruá?

A ERS 344 que liga Santo Ângelo a cidade vizinha de Giruá é margeada por butiazeiros. Com um olhar atento percebemos que esta espécie tem destacada incidência neste...

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No primeiro trimestres do ano os viajantes que percorrem o trajeto entre Santo Ângelo e Giruá pela ERS 344 podem apreciar os cachos de Butiás em diferentes tons: Da flor ao fruto maduro. Os butiazeiros crescem e se desenvolvem naturalmente nas margens da Rodovia e também da ferrovia que liga municípios como Santo Ângelo, Giruá e Santa Rosa. Além dos frutos in natura, também encontramos os butiás industrializados em forma de polpa, calda, suco e Chimier Eles estão a venda em um quiosque na beira da estrada.

Butiá de Santo Ângelo a Giruá (14) (Copy)
Foto – Marcos Demeneghi / Caxo de butiá encontrado na área de domínio do DAER na ERS 344, entre os municípios de Santo Ângelo e Giruá

Neste mesmo caminho os interessados em cultivar esta espécie de palmeira, ainda tem a possibilidade de visitar um viveiro de mudas que fornece exemplares da espécie, tanto para o plantio em escala de produção, quanto para fins ornamentais.

Esta palmeira é símbolo do município de Giruá e a Lei municipal 6521/2017 intuiu “março” como o mês de preservação do Butiazeiro. Nos dias 15, 16,17 e 18 de março ocorrerá em Giruá a 12ª Festa do Butiá, onde ainda é possível conferir a utilização desta espécie no artesanato e na culinária.

A pesquisadora da Embrapa, Rosa Lía Barbieri, explica que os butiazeiros demoram de cinco a dez anos para produzir os primeiros cachos, porém, estes podem passar de 100 anos e continuar a produzir.

Por que encontramos tantos butiazeiros neste trajeto?

Foto - Marcos Demeneghi / Butiazeiros encontrado na área de domínio do DAER na ERS 344, entre os municípios de Santo Ângelo e Giruá
Foto – Marcos Demeneghi / Butiazeiros encontrado na área de domínio do DAER na ERS 344, entre os municípios de Santo Ângelo e Giruá

O Engenheiro agrônomo do escritório da Emater de Giruá, José Cláudio Lourega Reis, destaca algumas hipóteses que podem influenciar no numero de butiazeiros na margem da estrada:
Em primeiro lugar os butiazeiros são árvores nativas adaptadas a nossa região e continuam produtivas por mais de 100 anos.

O fenômeno é observado nas áreas de domínio do DAER, consequentemente produtores evitam a retirada da espécie para implantar lavouras. Os butiazeiros também estão às margens da ferrovia que liga Santo Ângelo, Giruá e Santa Rosa, característica que mais uma vez colabora com o argumento da preservação em áreas de domínio do estado e união.

As sementes dos butiazeiros também foram espalhadas nas margens das rodovias pelos viajantes e moradores ao logo dos anos. Depois de comerem os butiás naturalmente eram espalhados à margem da estrada, fenômeno que pode ter contribuído para o aumento da população desta espécie de palmeira às margens das ferrovias e rodovias neste trecho.

Como o butiazeiro é símbolo de Giruá o poder público daquela cidade tem uma lei que foi instituída para incentivar o cultivo e manejo do butiazeiro, utilizado este tipo de palmeira no paisagismo de passeios públicos, parques e jardins da cidade.

Portanto não é um acaso e nem mesmo uma plantação proposital, trata-se de um fenômeno natural e cultural. O nome da cidade vizinha é uma variação do nome J’erivá, denominação indígena para as espécies de palmeiras comuns nesta região. Os colonizadores mudaram a pronúncia e com o tempo, popularizaram o nome de “Giruá”, criando uma nova palavra que no ano de 1928, foi reconhecida em lei. Aquela região geográfica pertencia aos limites de Santo Ângelo e era denominada Passo das Pedras em alusão ao Rio das Pedras, que dava acesso aquela localidade. Quando ainda era distrito de Santo Ângelo recebeu oficialmente o nome de Giruá e o butiá, se tornou o símbolo do município.

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