Agressões motivadas por gênero ocorrem diariamente em Santo Ângelo

Santo Ângelo é uma das 22 cidades do Rio Grande do Sul que possui uma DEAM – Delegacia Especializada de Atendimento às Mulheres. A Delegada Elaine Maria da...

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A violência cometida contra às mulheres é praticada todos os dias em Santo Ângelo. Dados da Delegacia Especializada em Atendimento às Mulheres somam 100 casos todos os meses e isso significa que são denunciados mais de três casos de agressões por dia em nossa cidade.
Em âmbito nacional as estatísticas revelam uma situação ainda mais grave, a cada duas horas morre uma mulher vítima de violência de gênero no brasil, ou seja, é uma morte a cada duas horas e o País ocupa o 5º lugar em violência deste tipo no mundo.
No entanto, a legislação brasileira possui instrumentos específicos, como a Lei Maria da Penha que é considerada a 3ª mais eficiente do mundo, além disso, o Rio Grande do Sul está estruturado com 22 delegacias especializadas nestes casos, sendo que as mulheres do nosso município contam com este tipo de atendimento.

Como é a delegacia

Delegada Elaine Maria da Silva - DEAM - Santo Ângelo - Foto Marcos Demeneghi
Delegada Elaine Maria da Silva – DEAM – Santo Ângelo – Foto Marcos Demeneghi

A delegada esclarece que as delegacias especializadas em atendimento às mulheres estão estruturadas como qualquer outra delegacia de polícia civil, a diferença está no foco do trabalho que é dedicado exclusivamente à vítimas de violência de gênero (neste caso a mulher).
No caso da nossa cidade, a DEAM conta com nove policiais mais a delegada Elaine, são agentes especializados para a escuta diferenciada destes casos. Entre as funções da delegacia especializada, destaca-se o acolhimento deste tipo de vítima, personalizado com uma escuta mais atenta e humanizada, principalmente porque envolvem rotinas domésticas relacionadas ao patrimônio, filhos e demais características e signos familiares pertinentes a nossa cultura.

Fotos da exposição "O Silêncio também é uma arma" - Fotógrafas: Fabiane Guedes e Pâmela Lazaron
Fotos da exposição “O Silêncio também é uma arma” – Fotógrafas: Fabiane Guedes e Pâmela Lazaron

Principais tipos de Violência
Elaine informa que em Santo Ângelo os delitos mais recorrentes são: Ameaça; Vias de fato, ou seja, agressões físicas ou morais de qualquer ordem (inclusive injúria e difamação); Lesões corporais e os casos mais extremos que são os feminicídios.
Em nove anos de atuação em Santo Ângelo, a delegada já acompanhou 9 casos de feminiscídio e esclarece que o resultado deste tipo de violência também atinge outros membros da família, por exemplo, os casos tipificados resultaram em 15 mortes no total, além de outras consequências não relacionadas neste conteúdo.

Motivações
Os tipos de agressões estão em função de fatores histórico/culturais em tramas familiares nutridas por sentimentos de posse, submissão, dependência financeira, autoritarismos, entre outros.
“Quase todos os casos de feminicídios ocorridos em Santo Ângelo foram registrados após a mulher tomar a decisão de romper o relacionamento”, disse a delegada, ao explicar que o sentimento de posse de uma parcela de homens é um fator cultural a ser enfrentado, pois nutre tramas de violência doméstica.

Medidas Protetivas
A mulher que se sentir agredida pode fazer o registro e requer medidas protetivas. As mais importantes na rotina da delegacia são: Afastamento do agressor do lar da vítima; Proibição do agressor manter contato com a mulher agredida (enviar mensagens, recados, telefonemas, etc.); Proibição de se aproximar fisicamente da mulher (conforme determinação judicial).
É possível realizar uma denúncia de violência contra a mulher pelo Ligue 180, um central de atendimento que garante o sigilo de quem liga e faz a denúncia. A delegada Elaine também destaca a rede de apoio existente nos municípios, entidades que colaboram no intercâmbio e divulgação de informações, apoio psicológico, atendimento jurídico entre outros.

Exposição DOGV - Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil 05 (Copy)

“O silêncio também é uma arma”
A mostra fotográfica chamada “O silêncio também é uma arma” é uma iniciativa da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Canoas e foi idealizada pela delegada Carolina Funchal Terres. As imagens foram registradas no ambiente da DEAM, pelas fotógrafas Fabiane Guedes e Pâmela Lazaron.
Elas apresentam materiais apreendidos que foram usados como armas em casos de violência, em contraste com objetos relacionados à beleza e à sensibilidade feminina. O objetivo da exposição é incentivar as mulheres vítimas da violência a fazerem a denúncia. Esta mostra fotográfica já esteve exposta em Santo Ângelo.

Foto - Fabiane Guedes e Pâmela Lazaron - Mostra fotográfica "O silêncio também é uma arma"
Foto – Fabiane Guedes e Pâmela Lazaron – Mostra fotográfica “O silêncio também é uma arma”
Fotos da exposição "O Silêncio também é uma arma" - Fotógrafas: Fabiane Guedes e Pâmela Lazaron
Fotos da exposição “O Silêncio também é uma arma” – Fotógrafas: Fabiane Guedes e Pâmela Lazaron

Exposição DOGV - Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil 04 (Copy)

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