BioURI – A hidroxicloroquina e a COVID-19

A hidroxicloroquina e a cloroquina são fármacos similares indicados para o tratamento da malária. Após diversos testes em 1945, apresentou-se uma formulação batizada de cloroquina que possuía menor...

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A hidroxicloroquina e a cloroquina são fármacos similares indicados para o tratamento da malária. Após diversos testes em 1945, apresentou-se uma formulação batizada de cloroquina que possuía menor toxicidade, efeitos colaterais reduzidos e eficiente ação antiparasitária, tornando-se disponível para a população em 1946. Conforme indicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a droga também possui atividade reguladora da imunidade, sendo eficaz no tratamento de processos inflamatórios autoimunes como Lúpus Eritematoso Sistêmico e Artrite Reumatoide

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Embora tenha deixado de ser prescrita, recentemente, em muitos países, a cloroquina continua sendo amplamente utilizada na América do Sul, e, em uma corrida pelo tratamento do Coronavírus, passou a ser testada como via de tratamento. Inicialmente, estudos como o da Universidade de Lovaina, na Bélgica e Universidade de Chiba, no Japão, indicaram um potencial de ação anti-SARS-CoV in vitro. Devido aos promissores resultados, esse fármaco passou a ser aplicado em grande escala na terapia de pacientes com a COVID-19, porém, sem estudos conclusivos sobre sua eficácia in vivo.

Diante do cenário de emergência e do seu potencial de ação, diversos países passaram a defender o uso da hidroxicloroquina (ou cloroquina), e à medida que o uso deste medicamento foi ampliado nos pacientes infectados, passou-se a observar que os efeitos colaterais eram muito arriscados. Conforme a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (ANSM), entre os danos registrados estão problemas cardíacos, provocando anomalias elétricas no coração, bem como casos de neuropsicose. Outros ensaios clínicos continuaram a demonstrar os riscos desse tratamento. Segundo o Centro de Medicina da Universidade de Oxford, publicação feita em março de 2020, verificou-se que existe o aumento de efeitos colaterais em casos de comprometimento renal e hepático.

No Brasil, a ANVISA divulgou uma nota esclarecendo alguns pontos sobre o uso da hidroxicloroquina. Enfatizou a finalidade deste fármaco e destacou que, apesar de alguns resultados promissores, não há estudos suficientes que comprovem sua aplicação no tratamento da COVID-19, sendo então contraindicado para pacientes infectados ou até mesmo como método de prevenção em relação à doença, deixando claro, também, que a prática de automedicação é extremamente arriscada.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a Sociedade Brasileira de Infectologia e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia divulgaram em maio deste ano, um material contendo diretrizes para o tratamento da Covid-19, no qual sugerem não utilizar a hidroxicloroquina (ou cloroquina), bem como não usar associado ao antibiótico Azitromicina, uma vez que há risco colateral. De acordo com as orientações, os pacientes devem ser tratados preferencialmente no contexto de pesquisa clínica, e as recomendações serão revisadas continuamente de forma a capturar a geração de novas evidências.

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