O auditório do TecnoURI foi palco, nesta semana, do emocionante lançamento do livro “Vidas (in)visíveis em Santo Ângelo”, organizado pela professora Andrea Fricke Duarte, do curso de Psicologia da URI Santo Ângelo. A obra traz à luz os testemunhos de moradores dos bairros Harmonia e União, áreas marcadas pela vulnerabilidade social no município, e nasce de um compromisso ético e afetivo com a escuta ativa e respeitosa.
O livro é fruto de uma pesquisa que começou com o relato impactante de uma mãe injustamente presa no lugar do filho. A partir dessa história de dor e injustiça, os autores iniciaram uma profunda jornada de pesquisa, guiados pela sensibilidade e pela ética, para registrar as vozes dessas comunidades. “Não se trata apenas de contar histórias. É um convite para parar e ouvir, com cuidado, o que insiste em permanecer: a memória viva de quem resiste”, ressalta a professora Andrea Fricke Duarte.
Cada relato presente na obra foi construído em parceria com seus protagonistas, garantindo que os moradores não fossem apenas sujeitos da narrativa, mas também autores de suas próprias histórias. Após a escuta e o registro inicial, os textos foram cuidadosamente revisados e validados pelos participantes, promovendo uma experiência única de escuta partilhada e reconstrução narrativa.
Para os autores, a principal motivação foi responder a uma inquietante pergunta: Como tornar visível aquilo que a sociedade insiste em apagar? Inspirada em reflexões da jornalista Eliane Brum, em obras como “Olho da Rua”, e no documentário “Estamira”, a obra busca narrar as dores e resistências da periferia sem transformar essas vidas em espetáculo ou mercadoria.
A pesquisa, desenvolvida com o apoio de bolsistas engajados, reconhece que o testemunho não é apenas memória, mas também um ato político, um gesto de cuidado e um encontro humano poderoso. É através dessas memórias vivas que o livro aponta para a possibilidade de reescrever o sentido da dor e encontrar, juntos, novos significados para o sofrimento vivido.
“Vidas (in)visíveis em Santo Ângelo” é mais do que uma publicação; é um manifesto de valorização da memória e da resistência cotidiana. Os moradores do Harmonia e União, territórios marcados pela vulnerabilidade social, protagonizam histórias repletas de força, luta e resiliência, desafiando as estruturas que costumam silenciar suas vozes.
Para os organizadores, a escuta ativa praticada ao longo do projeto transforma vidas. “O testemunho não é apenas uma palavra dita, mas um gesto de partilha, um encontro que abre caminhos para o cuidado e a reconstrução coletiva”, destaca Andrea. Ela enfatiza que o resultado é uma obra que não só narra histórias, mas resgata dignidade, dá visibilidade às lutas e transforma os testemunhos em um ato de resistência democrática.
O lançamento de “Vidas (in)visíveis em Santo Ângelo” representa a união da psicologia, ética e arte da escuta em um trabalho profundamente comprometido com os direitos humanos e a justiça social. É um exemplo de como a pesquisa acadêmica pode se conectar ativamente com as necessidades da sociedade ao olhar para aqueles que vivem à margem de forma humanizadora e transformadora.


