Feaagri Missões mostra o tamanho econômico da agricultura familiar

Na cerimônia oficial de abertura, autoridades destacaram o crescimento da feira e sua importância econômica para Santo Ângelo e região A noite de sexta-feira, 6, colocou o Palco...

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Na cerimônia oficial de abertura, autoridades destacaram o crescimento da feira e sua importância econômica para Santo Ângelo e região

A noite de sexta-feira, 6, colocou o Palco Cultural Stok Center, junto à Praça de Alimentação do Parque de Exposições Siegfried Ritter, no centro de uma agenda que vai além da programação cultural. Autoridades civis e militares do noroeste gaúcho prestigiaram a abertura oficial da 12ª Feira das Agroindústrias e da Agricultura Familiar das Missões, evento que chega a 2026 com mais de 350 expositores distribuídos por todos os segmentos da cadeia produtiva.
A solenidade confirmou o que a organização vinha: a feira deixou de ser apenas vitrine regional para se firmar como plataforma de negócios. A expansão aparece em duas frentes novas, o 1º ConstruMóveis Sicredi e a 1ª Hortifeira Banrisul Vero Maquininhas, que correm em paralelo ao evento e alargam as possibilidades de comércio, capacitação e aperfeiçoamento técnico para quem vive do campo e para quem atende o campo.
Discurso com peso de balanço
O prefeito de Santo Ângelo, Nívio Braz, abriu a série de manifestações colocando a agricultura familiar no centro da economia estadual. “O agronegócio e a agricultura familiar são os esteios do Rio Grande do Sul. É um orgulho estar prefeito com a realização de uma feira com este potencial. O papel do Poder Público é garantir a estrutura e apoio para que tenhamos esse espetáculo que é a Feaagri Missões”, afirmou.
O chefe do Executivo também reconheceu o trabalho de bastidores que sustenta o evento, a manutenção permanente do parque de exposições e a rotina dos servidores municipais nos preparativos, e cumprimentou os presidentes que, edição após edição, ergueram a estrutura hoje reconhecida no calendário gaúcho.
Na sequência, o presidente da 12ª edição, Daniel Casarin, distribuiu o mérito entre as forças que sustentam o projeto: empreendedores que apostam na feira, patrocinadores que viabilizam a realização, parceiros institucionais e apoiadores. A embaixadora Emilly Saratt seguiu a mesma linha e agradeceu o envolvimento coletivo da comunidade missioneira.
O deputado estadual Eduardo Loureiro, apresentado pela comissão organizadora como embaixador da feira junto ao governo do Estado, traçou a trajetória de crescimento até o patamar desta edição, discurso que reforçou o caráter de consolidação de um evento que nasceu voltado à produção colonial e hoje dialoga com indústria, comércio, serviços e inovação.
Também usaram a tribuna para sua manifestação no ato inaugural, Andreas Karpinchin (Sicredi União RS/ES), representando os patrocinadores da Feaagri; Milton Bernardes, superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário no RS; Valdecir José Sonin (UFFS); Reinaldo Machado (Aprocohsa); Vando Ribeiro de Souza (presidente da Câmara de Vereadores); Ivânia Polanczinski (Emater Santa Rosa).
Dois momentos marcaram a cerimônia de abertura: a interpretação dos hinos Nacional Brasileiro e Rio-grandense pelo cantor missioneiro Rubilar Ferreira e o encerramento conduzido pelo Coral Jeguatá Pyaú, da Aldeia Guarani, um resumo simbólico das matrizes que dão identidade à região.
Agricultura familiar em números
O peso econômico celebrado nos discursos das autoridades tem lastro em estatística oficial. Segundo o Censo Agropecuário 2017 do IBGE, compilado pela Emater/RS-Ascar, a agricultura familiar responde por 80,5% dos estabelecimentos rurais do Rio Grande do Sul – 293.832 propriedades – e por 72,2% do pessoal ocupado na agropecuária gaúcha, ainda que ocupe cerca de um quarto da área destinada à atividade. Do total de estabelecimentos familiares, 12,2% são administrados por mulheres.
Em valor, essas propriedades responderam por 37,4% da produção agropecuária estadual no último censo. A projeção da Fetag-RS para 2026 aponta para algo próximo de 40% do Valor Bruto da Produção: dos R$ 102,7 bilhões estimados para o Estado, cerca de R$ 41 bilhões devem sair da agricultura familiar.
A tradução desse retrato no chão da feira é visível. Mais de 60 empreendimentos rurais familiares ocupam o Pavilhão da Agricultura Familiar do parque, número que cresceu junto com a ampliação do espaço destinado às agroindústrias e aos produtos coloniais. É a diferença entre vender matéria-prima e vender produto com rótulo, marca e mercado.
O efeito ultrapassa os portões. Uma feira com mais de 350 expositores, conforme a organização, movimenta hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços de Santo Ângelo; aproxima produtores de linhas de crédito e de programas de modernização; e transforma conhecimento técnico em decisão de investimento dentro da propriedade. Para a região Missões, historicamente marcada pela pequena propriedade, significa manter gente no campo e com renda.
Programação e visitação
A 12ª Feaagri Missões segue até domingo no Parque de Exposições Siegfried Ritter, em Santo Ângelo, com entrada franca e programação que combina negócios, esporte, lazer e cultura. A 1ª Hortifeira, instalada na área central do parque, permanece aberta à visitação com orientação técnica para quem quer conhecer modelos de produção olerícola em pequenas áreas.
Texto: Tarso Weber | Fotos: Fernando Gomes
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