Produtores de leite sofrem com o falta de pagamento e sem garantia de preço mínimo

Audiência pública para viabilizar o pagamento aos produtores de leite e reuniões com a direção de laticínios, estão entre as ações decididas no encontro entre prefeitos, secretários municipais...

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Audiência pública para viabilizar o pagamento aos produtores de leite e reuniões com a direção de laticínios, estão entre as ações decididas no encontro entre prefeitos, secretários municipais de Agricultura, representantes da Emater e sindicatos da região que ocorreu nesta segunda-feira, dia 05 de janeiro, na sede da AMM – Associação dos Municípios das Missões, em Cerro Largo.
Com o objetivo de negociar o pagamento imediato dos produtores de leite, prefeitos missioneiros, conjuntamente com representantes da Emater, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STRs), Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) e outras lideranças se reuniram ontem, dia 6 de janeiro, com dirigentes da empresa Santa Rita Laticínios, no STR de Santa Rosa. A reunião foi uma das decisões coletivas tomadas durante assembleia.
Na reunião foram definidas estratégias emergenciais para resolver a falta de pagamento e garantia de preço aos produtores de leite. Os prejuízos para os agricultores familiares e para a economia dos 26 municípios missioneiros e todo Estado do RS são incalculáveis. O resgate da qualidade do leite e envolvimento dos deputados estaduais e federais eleitos, que obtiveram expressiva votação na região das Missões e Grande Santa Rosa, permearam o encontro.
De acordo com o presidente da AMM, Junaro Rambo Figueiredo, inicialmente serão convocados os deputados gaúchos eleitos, especialmente aqueles que obtiveram grande número de votos nos municípios missioneiros e da Grande Santa Rosa, entre outras lideranças e entidades. “Vamos chamar também os senadores gaúchos, representantes do Ministério da Agricultura, governo do Estado, Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Ministério Público, prefeitos, Associação Comercial e Industrial, vereadores, secretários municipais, agricultores familiares, Fetag, STRs, Emater, produtores de leite, imprensa, Coredes e também a população da região Noroeste”, explicou o dirigente da Associação.
Junaro, que também é prefeito de São Luiz Gonzaga e vice-presidente do Corede Missões, acrescentou que a proposta da audiência pública é unir forças e tratar não somente do atraso do dinheiro aos agricultores, mas de toda a crise que envolve a cadeia produtiva do leite, única renda mensal para a maioria das famílias missioneiras.

Audiência pública
Conforme estabelecido na reunião, será enviado um documento com cópia da ata da reunião, elaborada por Norberto Schoffen da secretaria Executiva da AMM, pedindo providências ao governador José Ivo Sartori. Outro encaminhamento será uma solicitação à Assembleia Legislativa para que seja realizada uma audiência pública, ainda neste mês de janeiro, na sede da Associação, em Cerro Largo, com o propósito de chamar a atenção e de sensibilizar as autoridades federais e estaduais para o problema.

Prejuízos nos municípios
Com aproximadamente 1.800 habitantes, em Mato Queimado, conforme relatou o prefeito Nelson Hentz, 30% da população sobrevive do setor lácteo. “A situação é desesperadora, pois os nossos produtores estão vendendo leite a 40 centavos o litro. O comércio parou e o prejuízo já chega a 1 milhão de reais”, lamentou Hentz, salientando a necessidade de somar esforços com os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. “Os prefeitos precisam ir junto para pressionar as empresas a efetuarem o pagamento dos agricultores, cujas dívidas se multiplicam a cada dia”, enfatizou.
De acordo com o chefe do escritório da Emater de Sete de Setembro, Irineu Kapelinski, 60% dos produtores de leite do município, com cerca de 2.200 habitantes, sofreram prejuízos com o atraso do pagamento. Ele explicou que em torno de 520 famílias vivem na área rural, das quais 284 sobrevivem da produção leiteira. Já em São Pedro do Butiá, a bacia leiteira gira em torno de 40 mil litros diários. “Imagina o dinheiro que deixa de circular num município com menos de 3 mil habitantes, em que cerca de 500 produtores dependem diretamente da produção de leite”, pontuou o prefeito Henrique Herbele.
Com receio de piorar ainda mais a situação, produtores de leite das Missões preferiram não se manifestar sobre o assunto.

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