Religiosidade como instrumento de poder

Por Adelmo Weber Sob qual ângulo podemos abordar o tema da religião? Ou como falar da religião? No singular e em experiências individuais: religião e o indivíduo? Ou...

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Por Adelmo Weber

Sob qual ângulo podemos abordar o tema da religião? Ou como falar da religião? No singular e em experiências individuais: religião e o indivíduo? Ou no plural? Em vez de religião, religiões enquanto movimento social? E a tele-tecnologia é uma religião ou está a serviço de alguma religião?
Para começar: quantos credos, Igrejas, templos você conhece? Há um aumento de aumento de credos religiosos. E esse aumento serve para esclarecer as pessoas ou gerar confusão? Você concorda que essa proliferação de credos religiosos está acompanhada de uma espécie de confusão generalizada no nível dos valores? Nessa onda de religiosidade ou “misticismo” buscando dar sentido à vida e aos objetos, é possível identificar perda de racionalidade?
Nesse ensaio, proponho abordar os seguintes pontos:
– de que forma o patriarcalismo e a hierarquia moldam as religiões?
– quais são as principais diferenças entre neopentecostalismo e religiões não-sistêmicas?
– como a Teologia do Domínio ameaça o Estado Democrático de Direito?

Dentro de um contexto denominado “proliferação do místico”, começo identificando os diversos grande grupos de “religiões”:
– as “religiões aparentemente não-sistêmicas”, focadas em princípios, leis cósmicas ou iluminação, com ênfase na comunhão com a natureza, propondo novas experiências do divino. Diferente do cristianismo, não seguem ou adotam um “Deus pessoal”. Não negam a existência da divindade, mas a inspiração é um ser iluminado, como Buda e Confúcio. Também são características desse grupo de religiões uma menor institucionalização pela ausência de uma hierarquia centralizada ou estruturas rígidas como igrejas organizadas, permitindo uma vivência mais pessoal e adaptável, com foco na prática e ética (dharma), meditação e vivência cotidiana, uma espiritualidade difusa, onde religião, cultura e vida pessoal coexistem sem barreiras rígidas entre o sagrado e o profano. Com forte influência do naturalismo e positivismo, priorizam valores humanistas e práticas meditativas ou filosóficas de grande aceitação, sobretudo, em meio à classe média, sedenta de lugares alternativos.
– as religiões secularizadas, como o cristianismo, com filosofias humanistas e teísmo (uma teologia que afirma a existência de Deus como fonte de origem existencial e de autoridade). As práticas transitam entre a revelação divina (baseada na fé em busca da salvação) e razão ou autonomia humana (onde moral social, ciência, ética e práticas psicológicas se propõem enfrentar e resolver problemas em busca de bem-estar na terra).
– neopentecostalismo: difere do pentecostalismo clássico por focar menos na santificação e mais na prosperidade material. Trata-se de uma vertente cristã onde a experiência espiritual é uma espécie de batalha contínua de luta contra demônios, possessão e a necessidade de expulsar o mal (sessões de descarrego). Pauta sua fé na “teologia da prosperidade” com promessas de “intervenção divina” (Deus proverá riqueza financeira, saúde e sucesso pessoal imediato). Estruturadas a partir de líderes, em regra, autoritários, que lançam mão do sincretismo religioso (fusão, mistura ou conciliação de diferentes dogmas, rituais e crenças religiosas, originando novas formas de culto). Suas práticas baseiam-se em votos, rituais de trocas e sacrifícios financeiros, como dízimo, aquisição de objetos ungidos (rosa, terra, sal, água), que se tornam fonte e garantia de bênçãos.
Feitas essas anotações, não pode passar em branco que a tecnologia ou tele-tecnologia, está sendo usada para difusão e divulgação de religiões e suas práticas. No caso do Brasil, algumas têm canais próprios de televisão aberta, expandindo-se enquanto religião e crença, com a mesma intensidade dos meios de comunicação modernos.
A ideia das religiões preocupadas com organização do sentido da vida,…
Texto adaptado a partir da leitura de “Teologia Ecofeminista – Um ensaio para repensar o conhecimento e a religião” de Ivone Gebara, publicado em 1977.
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