Por Adelmo Weber
Você já ouviu falar em objeto transicional?
Talvez não identifica com essa expressão.
Mas deve conhecer e até tenha o seu “guardado” entre as memórias da infância.
Vamos ao conceito que o Google nos oferece:
“Um objeto transicional (ou de transição) é um item físico — como um ursinho, paninho ou chupeta — ao qual uma criança desenvolve um forte apego emocional para obter segurança e conforto, especialmente na ausência dos pais, facilitando a transição da dependência para a independência emocional”.
Conseguiu se localizaru? Ou melhor, reconheceu algum “objeto transicional”?
Então, objeto transicional pode ser um brinquedo, o paninho, a fronha ou travesseiro, que em alguns caso recebe os mais ternos apelidos como “naninha”, “cheirinho”, que as crianças carregam para todos os cantos. E se lavar o paninho ou a fronha, perde o cheirinho e leva um certo tempo para voltar à normalidade.
E se perder esse objeto? O mundo quase para. Beira uma desgraça ou tragédia capaz de tirar o sossego de quem está em volta da criança naquele momento.
Quase todos já passaram ou viveram essas sensações ou situações.
Isso é objeto transicional.
E sabe por que a criança entra em desespero quando esse objeto some?
Esse objeto liga a criança ao mundo, ou, em outras palavras, a criança precisa desse objeto para se ligar no mundo.
Com o passar do tempo e a maturidade, esse objeto perde sua importância.
E em tempos modernos? Qual seria o objeto transicional moderno que não constou da relação acima?
Observo um pouco o seu entorno.
Qual é o objeto que vem ganhando cada vez mais espaço, e começa a acompanhar as pessoas desde a tenra infância e está no dia-a-dia de praticamente todas as idades?
E olha o desespero se perder, extraviar ou ele for roubado.
Essa tá fácil de responder.
Pelo menos para mim não há dúvidas.
Não precisa ser um expert em comportamento humano para afirmar que é o celular, com suas evoluções e atualizações.
Vamos deixar bem claro: o mundo moderno nos impôs o uso desses equipamentos. Não há discussão acerca da sua necessidade.
Minha reflexão busca chamar atenção para os excessos em dois sentidos:
– a precocidade de acesso por parte das crianças;
– a importância para o equilíbrio e conforto emocional que o brilho da tela está adquirindo, independente da idade do usuário.
Assim, em tempos modernos, o paninho, a fronha, o travesseiro perdem seu espaço e sua importância, pois crianças e adultos têm um objeto transicional em comum: o celular, iPhone, iPad com o brilho das telas nos mais diversos formatos.
Cada um com seu aparelho e seu mundo.


