Alguém da família adoeceu? Qual a melhor estratégia para ser atendido pelo SUS?

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Dúvidas comuns da população. Para respondê-las conversamos com o secretário de saúde do município, André Kissel, com o Provedor do Hospital Santo Ângelo, Bruno Hesse, enfermeiros, médicos e servidores públicos. Nesta primeira matéria relatamos apenas questões de atendimento básico, ambulatorial, quando uma pessoa acorda indisposta com algum problema de saúde básica, um filho está com febre e dor de barriga… O que fazer? Onde levar?

 

 

Qual a melhor estratégia?

Somando interior e cidade, Santo Ângelo tem 20 portas onde seus habitantes podem entrar. Sendo que, apenas nove delas tem a melhor estratégia para atender as famílias do município. Cada habitante tem a sua porta. Quando ele descobre qual é a sua, entra e conta com uma equipe composta por no mínimo, um médico, um enfermeiro, um auxiliar ou técnico de enfermagem e um agente de saúde comunitário. Nestas portas as equipes tem a função primeira de acompanhar a saúde dos membros das famílias e quando alguém adoece, além de prestar atendimento básico e orientar aos pacientes, é esta mesma equipe que entrega a chave para que a pessoa com doença mais grave (complexa) possa abrir as portas onde estão os especialistas. Estas outras portas são mantidas e organizadas pelo governo estadual.

A estratégia funciona quando estas portas estão próximo da casa das pessoas e os membros das famílias sabem que elas existem e reconhecem nelas o lugar mais apropriado para entrar na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). São nos nove postos identificados com a sigla ESFs – Estratégia de Saúde da Família que são as melhores portas de entrada para qualquer outro tipo de atendimento público em saúde (ou deveria ser). Sua principal função é prevenção e promoção da saúde, mas claro, também atende quem adoeceu e precisa de uma receita e orientação.

 

Porque existem tantas reclamações?

1º – Seriam necessárias 27 equipes iguais a estas para atender toda a população da cidade. As equipes dos ESFs podem (ou deveriam) abrir as portas do posto para no máxima de 4.000 (quatro mil) habitantes por ESF e média recomendada de 3.000 (três mil). O cálculo é simples: 4000×9=36000. A população estimada para Santo Ângelo em 2015 é de 79 mil habitantes, portanto 45% da população não está contemplada pelo serviço;

2º – Nem todos as 4 mil pessoas que moram perto de um ESF sabem que existe esta porta e como ela funciona;

3º – Os habitantes também adoecem nos finais de semana ou depois das 18h. Nestes horários a porta se fecha e as que continuam abertas são bem reduzidas. Resta as porta do Hospital Santo Ângelo que tem um contrato com a prefeitura para atender depois que se fecham as portas das Unidades Básicas, dos ESFs e do Posto da Rua 22 de Março;

4º – Nem todo problema de saúde é simples e pode ser resolvido por um médico clínico geral. Neste caso, o município não tem porta, mas a pessoa só descobre que precisa de um especialista se bateu nas portas do município, seja em uma ESF ou UBS, lugares onde as equipes devem atender, orientar e encaminhar até a secretaria de saúde com um relatório médico específico, para depois, identificar que porta o Estado disponibiliza. (Existem hospitais que recebem incentivos para serem referências regionais em determinadas especialidades como oncologia, traumatologia, oftalmologia…);

5º – Nem toda a especialidade conta com médico disposto a trabalhar pelo SUS. Portanto, não adianta existir a porta, possuir a chave se a sala esta vazia. Médicos especialistas como oftalmologistas, cardiologistas, urologistas, ortopedistas, as vezes, tem demanda suficiente para atender somente em seus consultórios e reduzem a quantidade de tempo para atender pelo SUS, além disso, não é todo o hospital ou centro clínico que dispõe de estrutura para atender demandas regionais ou estaduais, isso gera uma fila de espera que pode levar o paciente a esperar semanas, meses e até mesmo anos em uma fila.

 

As portas do Estado

As pessoas que precisam de atendimento especializado levam os documentos elaborados até a Secretaria de Saúde do Município, especificamente no setor de Regulação Ambulatorial e Auditoria. Este setor não é uma porta, mas, é a via de acesso que leva os santo-angelenses até os centros de referência organizados pelo Estado. Atrás destas portas é que estão (ou não estão) os exames de alta complexidade e consultas especializadas.

O tempo de atendimento varia, pode ser eficiente, mas também pode demorar semanas, meses e até anos. Cada especialidade funciona, com mais ou menos qualidade, dependendo do número de médicos especialistas dispostos a atender pelo SUS. Muitas portas estão quase vazias ou lotadas com muita gente na frente. Casos que necessitam de reumatologista, todas as cidades encaminham para Porto Alegre, por não ter atendimento em nenhuma outra região do estado, existe nesta especialidade uma fila de espera com pacientes cadastrados desde 2012. Quem precisa de oftalmologista também enfrenta demora no atendimento, pode levar mais de seis meses na fila de espera. Faltam profissionais dispostos a atender pelo Sistema Único de Saúde.

As principais cidades que são referenciadas para Santo Ângelo são: Ijuí, Passo Fundo, Porto Alegre e Lajeado, o HSA também é referência regional e contratado pelo estado em casos de Traumatologia e para as internações na UTI Neonatal. A prefeitura gasta aproximadamente 18 mil em transportes para conduzir estas pessoas até as portas de entrada do Estado. Segundo o secretário de saúde do Município, André Kissel, a administração investe mais 26 mil em exames e consultas especializadas, para compensar falhas no sistema.

 

Meta na atenção básica

A meta principal da atual administração da saúde liderada por André Kissel, é conquistar a gestão plena em atenção básica no município. Um projeto prevê a implantação de mais 6 equipes de saúde da família para ampliar a cobertura que atende apenas 45% da população. Mais da metade da população acaba se deslocando as Unidades de Atenção Básica, ao Posto de saúde da Rua 22 de Março ou a Porta Larga do Hospital Santo Ângelo.

 

A porta mais larga da cidade

A sobrecarga de atendimento no hospital acontece porque possui a porta mais larga da cidade. Recebe pessoas 24h, todos os dias da semana. Além disso, muitos pacientes identificam o hospital como a melhor porta. Afinal, ele conta com estrutura mais ampla e mais completa, inclusive o estado do Rio Grande do Sul usa esta porta para que bebês vindos de diversas outras cidades entrem na UTI Neonatal, do mesmo modo nos casos de traumatologia. Atende os casos de emergência e urgência da cidade e até da região, ou seja, quando uma criança cai e quebra o braço, o paciente está com iminência de morte ou de maior complexidade, exige emergência e urgência o local certo é o HSA.

Como o hospital

sabe quem deve ser

atendido primeiro?

Existe um Sistema de Triagem denominado Manchester é uma metodologia científica que confere classificação de risco para os pacientes que buscam atendimento em uma unidade de pronto atendimento. As pessoas recebem uma classificação por cor que determina um tempo máximo para o atendimento do paciente, de forma a não comprometer a sua saúde.

A falta de cultura de prevenção, menos de 50% da população coberta pelos ESFs horário reduzido de atendimento estão entre os principais problemas detectados.

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