Sábado 14/01/2012

Os falantes da língua têm, não raras vezes, algumas dúvidas na escrita da letra “g” ou “j” nas terminações de certos substantivos portugueses. Uma das terminações que lhes...

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Os falantes da língua têm, não raras vezes, algumas dúvidas na escrita da letra “g” ou “j” nas terminações de certos substantivos portugueses. Uma das terminações que lhes causa certas dúvidas é, por exemplo, “aje”. Essa terminação é sempre  com “g” ou com “j”? Sempre com “j”: laje, ultraje, traje, Lajes.
Causa bastante dúvida e até confusão esta dupla de expressão: “a nível de” e “em nível de”. Tornou-se moda, mesmo entre pessoas cultas, o uso da expressão antecedida pela preposição “a”. Exemplos: Vamos discutir o assunto a nível de direção. Vamos discutir o problema da estiagem a nível de governo. A preposição “a” nesses casos de frases deve ser evitada.
A preposição certa, em casos de frases com esses conteúdos, deve ser “em”. Então ambas as frases, para serem corretas em língua padrão, culta ou gramatical, devem ser escritas deste jeito: Vamos discutir o assunto em nível de direção. Vamos discutir o problema da estiagem em nível de governo.
Existe uma dica simples e importante para os falantes usarem a preposição “em” e não a preposição “a” nas frases que falam ou escrevem. Basta-lhes colocarem o adjetivo “alto” ao lado do substantivo “nível” e logo sentirão que a construção das frases pede a preposição “em” e não a preposição “a”.
Ninguém falaria ou escreveria, por exemplo, “discutir o assunto a alto nível com a direção”, mas “discutir o assunto em alto nível com a direção”, nem “discutir o problema da estiagem a alto nível com o governo”, mas “discutir o problema da estiagem em alto nível com o governo”.
Convém aqui registrar que essas expressões poderiam dispensar-se. Elas não acrescentam nada de novo às frases. As frases, sem essas expressões, seriam mais curtas, diretas e incisivas. A propósito, revejam-se as duas frases em tela: Vamos discutir o assunto com a direção. Vamos discutir o problema da estiagem com o governo. Eu, por exemplo, sabendo dos vazios e das desnecessidades dessas expressões, não as uso nas minhas frases faladas e escritas.
Faço minhas frases faladas e escritas sem o uso da expressão “em nível de” e da expressão “a nível de”. Essas expressões, na comunicação moderna atual, são penduricalhos linguísticos inúteis. Sendo inúteis, são cem por cento dispensáveis. Sendo cem por cento  dispensáveis e inúteis, para que as usar?
Outras duas expressões muito usadas, mas nem sempre de forma correta e com os significados que têm, são “em vez de” e “ao invés de”. A expressão “em vez de” significa “em lugar de”. E a expressão “ao invés de” significa “ao inverso de” ou “ao contrário de” ou simplesmente “ao inverso” e “ao contrário”. Exemplos: Nos últimos dias, nas Missões, em vez de chover muito, fez muita seca e calor. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, em vez de fazer seca e calor, choveu muito e houve muitas inundações.

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