Quarta-feira 29/02/2012

Augusto Jaeger Conheci o Augusto Jaeger quando ele veio morar em Santo Ângelo, na casa de seu pai Adolfo Jaeger, cidadão correto e sério, situada na Avenida Venâncio...

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Augusto Jaeger

Conheci o Augusto Jaeger quando ele veio morar em Santo Ângelo, na casa de seu pai Adolfo Jaeger, cidadão correto e sério, situada na Avenida Venâncio Aires, através do Dr.Guido Emmel, meu amigo de infância. Eles eram primos irmãos – seu pai era irmão da mãe do Guido. Ele veio do interior de Santa Rosa, de Tuparendi.

Augusto nasceu em 1928, em Tuparendi. Em 1936, veio morar com seus avós em Santo Ângelo.Estudou no Colégio Concórdia, onde aprendeu a tocar violino com Fernando Krieger, professor desse Colégio Luterano, em 1940. Praticava e tocava junto com seu primo Guido.

Tínhamos um amigo em comum, Emílio Heinz, morador da esquina da Venâncio Aires com Av. Brasil, e ex- funcionário do Banco Pfeiffer. Emílio e eu o levamos para o Partido Libertador. Os integralistas (PRP) de Plínio Salgado tentaram levá-lo para as suas fileiras, entretanto não conseguiram.

Augusto foi carregador de malas do Hotel Comércio de propriedade de seu tio Otto Henchke. Vendeu balas e doces no Cinema Avenida. Um exemplo de rapaz sério, responsável e dedicado.

Em 1939, faleceu seu avô e ele passou a viver com a avó e seu tio Leonel, que era ecônomo do Clube 28 de Maio. Em 1943, veio toda a sua família morar em Santo Ângelo.

Em 1944, começou a estudar no Colégio Champainat e trabalhar no Banco Pfeiffer. Em 1946, serviu na Base Aérea de Canoas. Em 1947, voltou para Santo Ângelo e assumiu o Bolicho da Casa Jaeger. Foi quando começamos a conviver mais. Participamos de todas as Campanhas Nacionalistas, principalmente do “Petróleo é Nosso”. Ingressou na Ala Moça do Partido Libertador, da qual eu já pertencia. Participamos juntos de muitas campanhas políticas, municipais, estaduais e federais. Procurando sempre o lado certo e o melhor para o Brasil. Lutamos muito contra a eleição do Sr.Getúlio Vargas, pois achávamos que não seria bom para o Brasil – como de fato foi – com um fim trágico, seu suicídio, que quase levou o País a uma Guerra Civil.

Costuramos juntos a candidatura a vice-prefeito do senhor Alfredo Pereira dos Santos pelo Partido Libertador em coligação com PSD, apoiando o Sr. José Carlos Kist para prefeito. Foi uma convenção memorável do Partido, de vez que uma ala apoiava uma candidatura própria. Vencemos a eleição municipal, elegendo com ele três vereadores, sendo um deles o Sr.Augusto Jaeger. Na eleição seguinte, lançamos e elegemos o Senhor Siegfried Ritter para prefeito de Santo Ângelo pelo Partido Libertador.Os outros partidos tiveram de apoiá-lo. Venceu as eleições.

Em 1955, se elegeu vereador. Em 1950, passou a colaborar com Jornal O Debate, de Utalino Fernandes.Em 1951, começou a trabalhar na Caixa Rural. Logo comprou o escritório de aluguéis do Sr. Siegfried Ritter, atual Imobiliária Jaeger. Nessa época, conheceu nosso comum amigo Oscar Pinto Jung e assumiu a direção do Jornal O Debate, durante o tempo em que Utalino esteve preso por questões políticas, em virtude da censura à imprensa.

Em 1963, casou-se com Enilse Falcão da Motta, professora, com a qual formamos uma boa vizinhança por quase 50 anos. Seu filho, Augusto Jaeger Junior, e minha filha Daniela, além de serem vizinhos e brincarem muito durante a infância, foram colegas de aula.

Em 1964, assumiu a direção da Caixa Rural e, em 1965, assume a presidência do Partido Libertador, no ano em que houve a fusão de vários partidos, formando a Aliança Renovadora Nacional. Dessa época em diante, nos afastamos politicamente, porque passei para a oposição junto com Paulo Brossard de Souza Pinto, Carlos de Brito Velho, Dario Beltrão e Raul Pilla. Antevendo eles uma ditadura militar (de vez que a ordem jurídica e constitucional fora rompida), que se perpetrou por longos 25 anos. Os militares haviam se comprometido ficar no governo somente 2 anos…

Augusto formou-se em Ciências Contábeis. Em 1973, nasce seu único filho Augusto Jaeger Filho. Em 1978, a Caixa Rural é extinta e ele assumiu a direção da Caixa Estadual.

Aposentou-se em 1992 e, em 2003, após uma longa enfermidade, faleceu.

Santo Ângelo perdeu uma pessoa amiga de todos, pronta a colaborar sempre com as boas causas.Passei a me privar da presença física de um companheiro de grande afinidade, que passou para outro plano da vida….

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