Os últimos bandoleiros

 

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O Fuzilamento de Arthur Arão

Nos primeiros dias de 1927 conseguiu licença para ir passar uns dias em casa.
Num sábado a tarde nesta minha farda bem passada, dirigi-me a casa do caboclo onde deixaram meu cavalo. O caboclo trouxe-o, muito bem cuidado que estava.
Ao cair da tarde, encilhei-o e sai para o Posso da Pedra. Viajando a noite para não ser notado pelos pé de porco.
Saindo da cidade encontrei com um companheiro de minha Companhia fardado e a cavalo seguindo na mesma direção.
-Vais ao baile? pergunto-me
– Um baile de cutubra que vai ter lá na minha zona.
Eu sabia onde ficava na zona colonial e umas quatro léguas da cidade.
– E o convite?
– Um convidado convida o outro.
Há tempos eu necessitava de uma farrinha para desintoxicar a alma.
– Feito
Lá chegamos as 9 horas da noite.
Muitos cavalos encilhados atados nas árvores.
Carroças coloniais com tabuas atravessadas.
O baile começou cedo e ia ter muitas animações.
Dois lampiões iluminavam a sala , que não era muito grande.. . Uma gaita e um violão animavam o baile, o gaiteiro cantava e gritava para animar o ambiente. Predominava o elemento de origem.
Estendi a mão a uma loirinha e desfilamos sobre o salão. Ela deveria estar feliz após dançar com um moço fardado do exercito.
Vinho e cachaça com mel eram servidos pelo dono da casa. A gaita continuava desafinadamente pela quarta vez que eu dançava e ela perguntou-me:
– O senhor não tem namorada?
– Não, sou muito feio e as moças não me dão confiança.
Era uma adolescente meiga
– Mas desde que o senhor chegou estou lhe dando confiança, e o senhor parece não notar. Suas palavras tiveram o dom de aquecer-me a alma.
Apertei-a bem e ela correspondeu.
A dança estava animada, a sala estava toda cheia, que uns pares encontravam uns nos outros.
– Esta abafada a sala… disse eu preparando o bote para o pialo.
– Esta muito quente… concordou ela….
– Será que poderemos dar uma saidinha e tomar um ar lá fora?
Ela procurou a porta dos fundos, procurando romper a massa compacta, enquanto eu procurava sair pela porta da frente.
E foi assim nesse momento que  que surgiu a farda dos pés de porcos.
Tudo aconteceu de maneira violenta e rápida como um raio que esteja em tempo seco: sem rumor que despertasse atenção,como brotando das trevas,surgiram fuzis me apontando da janela.
Nas festa tudo passou como por encanto e houve um segundo tétrico de silencio interrogativo. Joguei-me ao solo, levando a mão ao resolver, mais antes de eu tocar no assoalho estrigiu uma descarga e quebrando por um balaço, meu braço direito não. obedeceu.
Os provisórios entraram em tropel e fúria num Deus nos acuda. Todo mundo fugiu espavorido, e ouvia-se um som fantasmagórico  de gaita e violão.
A casa ficou vazia.
Fiquei sozinho, ferido no chão e com sete fuzis apontados para mim. Eram seis soldados do corpo  provisório apontados para mim, comandados por um sargento desse Corpo… Tiraram-me o revolver e fizeram-me levantar.
– É ele mesmo- afirmou o sargento, um moreno mal encarado – o bandido Arthur Arão.
O sangue pingava de meu braço.

>>> continua na próxima edição.

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