O Plano Energético do Rio Grande do Sul foi discutido em Santo Ângelo na última quarta-feira, dia 24. Na URI, o Secretário Estadual de Minas e Energia Lucas Redecker liderou a reunião que tem o objetivo de planejar os próximos 10 anos na área de energia. “Precisamos avaliar o potencial de cada região, de como gerar energia, se de natureza térmica, eólica ou hídrica e pretendemos fazer acompanhamento do plano e de sua execução, sobretudo porque a tecnologia nesta área evolui de maneira rápida” reafirmou Redecker ao abrir a reunião.
Neste sentido, Redecker disse que a SME trabalha, em parceria com outras secretarias de Estado, para construir um programa que pretende levar energia trifásica ao campo, sem onerar os agricultores. “Nossas estimativas indicam que são necessários R$ 1,6 bilhão para transformar a rede em trifásica”. O secretario falou ainda que o uso da biomassa é uma alternativa e afirmou que a Sulgás está com chamada pública aberta para a compra de biometano por um prazo de até 20 anos. O que beneficia também o agricultor, que poderá dar um fim correto aos dejetos oriundos da atividade agrícola.
Já o representante da RGE, o engenheiro Luiz Carlos Moreira Júnior, afirmou que é preciso encontrar uma alternativa em conjunto para resolver o problema no campo. Conforme ele, as atuais redes de transmissão têm entre 25 e 30 anos, período em que a atividade agrícola não era tão mecanizada como neste momento. “A empresa investe R$ 1,3 bilhão a cada mudança tarifária, o que equivale a R$ 1 milhão por dia útil, mas estamos dispostos a encontrar juntos o melhor caminho para resolver esses impasses”, afirmou.
Redecker afirmou que está acompanhando junto com a secretária do Meio Ambiente, Ana Pelini, a situação da usina de Garabi/Panambi, e que uma nova agenda está sendo marcada para os próximos dias para tratar sobre o assunto. Já em relação às licenças ambientais, disse que tem a expectativa de uma maior celeridade nos procedimentos, com a inauguração da sala do investidor, que permitirá a parte interessada acompanhar o andamento das licenças solicitadas.
José Cláudio Lourega Reis, presidente do Corede, afirmou que “a questão energética é atualíssima e estratégica para a região”. O principal problema, na avaliação dele, está na qualidade da energia. “Se pensamos em desenvolvimento, a energia tem que estar junto”, afirmou. Para ele, “não podemos ficar esperando, pois as barragens não vão resolver todos os problemas. Temos as PCHs e, na prática, essas obras tem se mostrado ineficientes. É o momento de usarmos fontes alternativas, pesquisar – através das nossas universidades – e implantar fontes alternativas para racionalizar e democratizar o uso da energia. Vamos enfrentar, em breve, sérios problemas se não buscarmos uma solução para o problema”, disse.
