O arquivo e as lembranças de um tipógrafo

Eglon Medeiros Marques atuou como tipógrafo no jornal ‘O Debate’ e guarda a primeira edição deste impresso que faz parte da história do jornalismo santo-angelense e missioneiro. Atualmente...

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Eglon Medeiros Marques atuou como tipógrafo no jornal ‘O Debate’ e guarda a primeira edição deste impresso que faz parte da história do jornalismo santo-angelense e missioneiro. Atualmente é contador e possui um escritório contábil, mas guarda exemplares de jornais que contam um pouco da história dos moradores locais na década de 50, 60 e 70

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Eglon Marques segura a primeira edição do Jornal O Debate – Foto: Marcos Demeneghi

Eglon Medeiros Marques aprendeu o ofício de tipógrafo, que exerceu durante oito anos, com Álvaro Melchior. Mas antes disso, atuou na venda e distribuição do jornal, somente depois de conhecer o mecanismo de selecionar as letras e montar as peças que seriam impressas, começou na tipografia e também como impressor. Eglon lembra que existiam outros tipógrafos que foram seus professores, como o Nerci e Ivanor.

“Podíamos levar até uma semana para fazer um jornal de quatro páginas”, explica Eglon. O tipógrafo é natural da zona rural de Santiago, mas em fevereiro de 1959 veio morar em Santo Ângelo com sua família. Com 12 anos, vendia jornal na rua, era jornaleiro, e mais tarde, com 14 anos de idade, passou a ser auxiliar de tipógrafo.

A edição histórica de número 1 entrou em circulação no dia cinco de Janeiro de 1950. O periódico tinha como Diretor e Gerente Utalino Fernandes, considerado um dos mais polêmicos jornalistas da cidade, pois chegou a ser condenado e preso por um artigo escrito em oposição a Leonel Brizola.

Jornal O Debate primeira edição - Foto - Marcos Demeneghi
Jornal O Debate primeira edição – Foto – Marcos Demeneghi

Ele recorda que o trabalho de fazer um jornal exigia paciência e um bom conhecimento das posições das letras, ou “tipos” que eram moldadas em chumbo e montadas, uma a uma. O tipógrafo recebia o texto do jornalista e podia ficar o dia todo debruçado na missão de formar palavras, parágrafos, textos, e, por fim, o Jornal.

Oscar Pinto Jung também esclarece sobre o trabalho de tipografia ao falar de um dos precursores da comunicação impressa em Santo Ângelo, Fúlvio da Silveira Bastos, foi diretor do primeiro jornal diário da cidade, chamado ‘O Missioneiro’. Oscar conta que naquela época era uma ousadia, pois os textos eram montados letra a letra por tipógrafos e demandava grande esforço fazer uma tiragem todos os dias. “Um trabalho infernal”, disse ao recordar daquele tempo, afirmando que em sua juventude se tornou amigo de muitos tipógrafos. Foi no ‘O Missioneiro’ que, aos 18 ou 19 anos, conquistou seu primeiro emprego, fazia cobertura das sessões da Câmara de Vereadores e dos fatos policiais.

Utalino Fernandes também é um dos pioneiros do impresso em Santo Ângelo, ele chegou a liderar o projeto do jornal ‘A Luz’ no ano de 1919, conforme relatos de Oscar Pinto Jung.

Mas a história mais pitoresca que Oscar lembra sobre Utalino Fernandes, foi na direção do Jornal “O Debate”, justamente na época em que Eglon trabalhava no ofício de tipógrafo. Segundo Oscar, ‘Utalino Fernandes era um ex-pastor da Igreja Metodista, escrevia muito bem, era formado em letras e tinha posições políticas bem definidas, certa vez ele escreveu um artigo muito pesado contra Leonel Brizola, que o processou. Utalino Fernandez foi condenado e teve que cumprir prisão em Porto Alegre”, explica Oscar.

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Sobre esta época, Eglon relembra que ficaram responsáveis pelo jornal Augusto Jaeger, Oscar Pinto Jung e Mauro Azeredo.

Eram tempos de rivalidade política e Augusto Jaeger teria escrito um artigo acusando Juscelino Kubitschek de ladrão, o fato causou a revolta dos opositores políticos da época e dificuldade para distribuir o periódico na região por meio dos Correios. Mas não passou disso, afirmou Eglon.

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