O mal-estar dos agrotóxicos

UFFS, campus de Cerro Largo, divulga os primeiros resultados de uma pesquisa inédita nas missões sobre agrotóxico e saúde do trabalhador rural, 39% dos agricultores entrevistados sentem algum...

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Foto: Arquivo do Mensageiro - Marcos Demeneghi
Foto: Arquivo do Mensageiro – Marcos Demeneghi

O Grupo de Pesquisa Agrotóxico, Saúde e Ambiente (GPASA) da UFFS – Campus Cerro Largo divulgou nesta semana os primeiros resultados de uma pesquisa desenvolvida a partir de projeto financiado pelo CNPq.

As ações envolvem agricultores de toda a região das Missões sobre o uso de agrotóxicos, além de coleta de sangue para fazer o exame de Colinesterase – que avalia intoxicação aguda por agrotóxicos – realização de oficinas e a divulgação dessas pesquisas para a comunidade da região.

Segundo a coordenadora do projeto e professora da UFFS, Iara Endruweit Battisti pretende-se investigar o modo de uso dos agrotóxicos adotado por agricultores da região e divulgar evidencias que possam servir de esclarecimento da população envolvida, bem como dos gestores públicos, subsidiando políticas educacionais e de promoção da saúde.

Resultado das pesquisas

Foram entrevistados 292 agricultores, entre 2018 e 2019, de 12 municípios da região missioneira selecionados de maneira aleatória. As entrevistas, segundo Iara, foram realizadas nas casas dos agricultores. Eles responderam um questionário com cerca de 45 perguntas sobre temas como tempo de uso de agrotóxicos, quantidade e tipo de agrotóxicos utilizados, destino de embalagens vazias, intoxicações prévias por agrotóxicos, percepção sobre o riscos dos agrotóxicos, entre outras. Dos entrevistados, 39% relatam algum tipo de mal-estar durante ou após a aplicação dos agrotóxicos, como por exemplo, dores de cabeça, vômito, tontura, enjoo, dor de estômago, entre outros. Mais de 75% deles consideram esse produto nocivo para a saúde.

De acordo com a professora Iara, “diante do uso intenso de agrotóxicos, a maior parte da população encontra-se, de alguma forma, exposta a esses produtos, entretanto, são os agricultores que compõem o grupo com maior risco de intoxicação porque estão em contato direto com essas substâncias. Portanto, o uso correto e seguro nas diferentes atividades cotidianas dos agricultores são imprescindíveis para a redução do risco de intoxicação, os quais podem causar efeitos adversos à saúde a curto, médio e longo prazo”, informa.

A partir deste projeto, já foram defendidas duas dissertações de mestrado e executados projetos de iniciação científica, estiveram envolvidos seis mestrandos, quatro alunos de graduação e quatro professores da UFFS Ainda contamos com a colaboração de professores da Unijuí, caracterizando-se, então, como um projeto interinstitucional”, aponta. Iara também destaca o pioneirismo deste tipo de pesquisa nas Missões: “Esse projeto é inédito na região. Trouxe resultados bem importantes que apontam para a necessidade de mais pesquisas e ações interdisciplinares focadas em agrotóxico e saúde do trabalhador rural”, afirma.

Uma das linhas de pesquisa

Os agricultores foram entrevistados em suas casas nas cidades de Caibaté, Entre-Ijuís, Garruchos, Guarani das Missões, Pirapó, Roque Gonzales, Santo Ângelo, Santo Antônio das Missões, São Luiz Gonzaga, São Paulo das Missões, São Pedro do Butiá e Vitória das Missões.

A pesquisa serviu de base para a elaboração de trabalhos finais de mestrado nos temas: “Perfil Ocupacional de Trabalhadores Rurais Expostos a Agrotóxicos na Região das Missões, RS” e “Impactos Ambientais da Utilização de Agrotóxicos: Percepção dos Trabalhadores Rurais e Adesão a Métodos Alternativos”.

De acordo com os questionários aplicados aos agricultores, 75,3% consideram os agrotóxicos prejudiciais para a saúde humana e 60,6% relatam utilizar algum item do equipamento de proteção individual (EPI). Sobre os problemas de saúde já enfrentados pelo uso de agrotóxicos, 39% mencionaram algum tipo de mal estar durante ou após o preparo e a aplicação dos agrotóxicos. Entre os sintomas mais citados estão: dor de cabeça, ardência na pele, salivação, falta de ar, febre e inchaço, vômitos, tonturas, enjoos e dores no estômago.

Neste estudo, observou-se que a maioria dos trabalhadores rurais possui conhecimento do perigo que os agrotóxicos podem causar a saúde. Apesar das recomendações do Ministério da Saúde e das recomendações no rótulo da embalagem, foram raros os relatos de utilização de medidas preventivas, como a utilização completa de EPI durante a manipulação destes químicos.

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