O movimento da natureza na bandeja

Ele tem cerca de 300 bonsais. São árvores em miniaturas com flores em uma época, frutos em outra, com folhas em queda, mudança de tonalidades, brotação exuberante, etc....

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Bonsai Persigo (1)Plantar árvores anãs em bandejas é uma arte chinesa que foi aperfeiçoada pelos japoneses. A técnica do bonsai se difundiu e também é cultivada em Santo Ângelo. Luis Pérsigo é um morador local que possui uma coleção com aproximadamente 300 exemplares. Ele conheceu e aprendeu a técnica logo após concluir o curso de paisagismo, há cerca de 25 anos, quando também conheceu Mioko Takei, uma japonesa que veio para a região na época da colonização.
Persigo conta que no auge do processo de colonização da região das Missões, famílias japonesas tentaram formar uma colônia em Santo Ângelo e alguns núcleos familiares fixaram residência no município.

Nas Missões
O bonsaista missioneiro esclarece que tanto na entrada, quanto saída do inverno, é a época de transplante e poda dos bonsais em nossa região. Ele explica que as características climáticas regionais influenciam no manejo das plantas. Entre as espécies que cultiva, estão aquelas que são nativas, uma oportunidade de produzir bonsais únicos, baseados nas espécies que caracterizam as Missões.
“Conseguimos ter plantas diferentes de outras regiões do Brasil e do mundo. A guajuvira, o cambuim, as pitangas, são nativas que dão excelentes bonsais. Tenho ainda uvaias, uma floresta de canela de viado, mas também tenho plantas que vieram do exterior, muito bem adaptadas ao nosso clima, como é o caso do pinheiro negro. Por outro lado, há espécies que são nativas de regiões quentes que sofrem com o nosso clima”, concluiu o bonsaista.

Conselho para iniciantes
Os bonsais podem ser mini, médios e grandes, de 15cm, 40cm e até 110cm respectivamente. Cada pessoa pode optar por um tipo de bonsai, depende do espaço que possui para desenvolver a arte.
Em vasos rasos feitos de cerâmica, porcelana ou barro o bonsaista usa técnicas onde a poda e o reposicionamento de galhos formam os diversos estilos de árvores encontradas na natureza.
A técnica ganha beleza porque relembra a natureza em seu ambiente natural, árvores com as raízes aparentes, grudadas na pedra, despencando de um penhasco, retorcidas pelo tempo, em grupo formando um pequeno bosque e assim por diante.
A planta a ser trabalhada deve ter no mínimo oito anos para ser considerada um bonsai. Pois a técnica exige, “um certo estilo” que só se alcança com o tempo e com o trabalho.
Persigo explica que ter um bonsai é como cuidar de um animal de estimação. Quem pretende iniciar-se neste cultivo pode começar com espécies resistentes como os fícus, serissa, buxus, plantas que possuem maior resistência a falta de água, e a falta de adubo.
O bonsaista alerta que a pessoa deve conhecer a espécie que está cultivando para recriar de modo mais apropriado às condições em que ela é encontrada na natureza. Afinal, o bonsaista trabalha para recriar a natureza em miniatura.

O bonsaista
A coleção é composta por plantas coletadas na própria natureza, outras são cultivadas, algumas foram presentes. Diariamente Persigo molha, mensalmente se dedica a adubação e poda. Ele disse que tem uma produção orgânica, pois faz o próprio substrato, com o concurso de esterco, composto de folhas, tijolos moídos, matéria orgânicas diversas, vermiculita, terra, areião lavado, etc. No início tinha dificuldade de encontrar principalmente os vasos e ferramentas apropriadas, agora já existem no comércio brasileiro.
Regar e cuidar de todos os exemplares da coleção dá trabalho que ele divide com a família, mas disse que é gratificante, durante todo o ano é possível observar o desenvolvimento de muitas plantas, “temos flores em uma época, frutos em outra, algumas espécies caem as folhas, outras mudam de cor” falou persigo ao descrever o movimento da natureza miniaturizada em suas árvores nas bandejas.

Bonsai Persigo (14)

Bonsai Persigo (11)

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