Como tratamos o rio no Dia Internacional da Água

A beleza da queda d’água em contraposição aos resíduos encontrados nas margens do Rio Itaquarinchim, curso hídrico que cruza a zona urbana do Município de Santo Ângelo revela...

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Cascata do Itaquarinchim - Foto: Marcos Demeneghi
Cascata do Itaquarinchim – Foto: Marcos Demeneghi

A beleza da queda d’água em contraposição aos resíduos encontrados nas margens do Rio Itaquarinchim, curso hídrico que cruza a zona urbana do Município de Santo Ângelo revela a condição da humanidade nesta região geográfica do globo. O notório contraste entre a natureza e os resíduos dos moradores é um registro de 18 de março, quatro dias antes do Dia Internacional da Água.  

Cerca de 80 mil habitantes moram na cidade de Santo Ângelo, a grande maioria usa águas superficiais (de rio) para beber e realizar tarefas diárias, 25% vem do Itaquarinchim e 75% do Rio Ijuí. A água é distribuída pela Corsan e chega para cerca de 32 mil usuários que consomem diariamente 450 litros de água. A água vem limpa em um cano de 25 milímetros e sai em canos de 100 milímetros para o esgoto, pois volta carregada de detritos, sabe-se que, uma parte deste esgoto retorna diretamente para o rio sem o devido tratamento. Não bastasse isso, resíduos plásticos, isopor, tecidos, ferragens, borrachas estão visíveis no leito do Itaquarinchim, a fotografia não omite a questão e mostra que é usado como uma espécie de “lixeira natural”.

As contradições não param, é justamente nesta queda d’água que o Rio Itaquarinchim ‘respira’. O choque do líquido com as pedras proporciona a oxigenação da água, um fenômeno natural proporcionado pela geografia do Bairro Kurtz que contribui para a recuperação das propriedades originais da água. É também nesse choque violento e brusco que surge uma apreciada paisagem natural. Lugar de vivencias e lembranças.

Por outro lado, o leito da cascata também é propício para observar encalhados plásticos, borrachas, tecidos, madeira, isopor… cena que deixa explícito o comportamento dos moradores de Santo Ângelo, por ação direta ou omissão. Mostra a contaminação e comprova que ainda percebemos o rio como um lugar de descarte, antes de ser considerado um recurso de manutenção da vida.

Para divulgar o quão é importante preservar este recurso natural, bem como, para inibir os abusos praticados pelos habitantes do planeta que a ONU criou, em 1992, o Dia Mundial da Água (22 de março).

Além disso, a ONU divulgou naquela ocasião a Declaração Universal dos Direitos da Água. O nono artigo desta declaração diz que “A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social”.

Nossa incapacidade de gestão deve gerar uma contradição ainda maior nas próximas décadas, pois quatro dias antes do Dia Mundial da Água o governador do estado, Eduardo Leite, anunciou a intenção de abrir o capital da Corsan – Companhia Riograndense de Água e Esgoto para o capital privado e a exploração financeira.

A venda do controle acionário da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), responsável pelo abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos em 317 municípios gaúchos foi anunciada na quinta-feira, dia 17 de março.

Embora não seja possível palpitar com assertiva sobre o desfecho desta história, um fato já é notório, se o coletivo e o público deixou margem para o questionamento de sua capacidade, o privado apresenta-se, na pretensa qualidade de salvador da pátria para cobrar o preço nas contas de água e tentar resolver esta questão.

Impossível, diante deste fato, deixar de observar que o bem mais valioso do planeta azul, está prestes a ser entregue para o capital privado e a consequente exploração dos acionistas.

Edição | Marcos Demeneghi

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