Caminhoneiros foram as ruas e a comunidade aplaudiu

A paralização já provocou desabastecimento nos postos de Santo Ângelo, cancelamento de aulas em instituições de ensino, interrompeu o setor produtivo da Alibem, com cercas de 3 mil...

109 0

Caminhoneiros - 01Além da manifestação na BR 285 os caminhoneiros de Santo Ângelo realizaram uma carreata com apoio de setores da economia local e aplausos da comunidade. No centro de Santo Ângelo cerca de 500 motoristas buzinaram e chamaram a atenção para o custo do transporte e dos combustíveis. A manifestação foi na tarde da quinta-feira, dia 24 e no comboio que era escoltado pela Brigada Militar, estavam motoristas de caminhões, de ônibus e de vans, carros de passeios, tratores e taxistas.
No mesmo dia, no trevo de acesso a Santo Ângelo, receberam o apoio de agricultores que levaram tratores e maquinários agrícolas pra as ruas a fim de protestar contra a alta dos combustíveis, melhores condições de estradas, pedágios mais baratos para veículos de carga e transportes, entre outras reinvindicações.
Já na quinta-feira, faltou gasolina em vários postos da cidade e o problema se agravou na sexta-feira, 25, quando o desabastecimento foi completo.
A área industrial também foi afetada. No frigorífico Alibem os abates foram cancelados e cerca de tres mil funcionários das unidades de Santo Ângelo e Santa Rosa ficaram parados. Pois foi suspenso o abate de sete mil suínos por dia. Também existe a preocupação com a alimentação dos animais que ainda estão em propriedades rurais e dependem de ração.
Alunos da URI e da CNEC faltaram aula na quinta-feira, dia 24. Principalmente aqueles que se deslocam de cidade vizinhas. Também foram registrados manifestações de estudantes no Campus local da URI, em apoio a paralização. A direção da URI cancelou as aulas marcadas para sexta-feira e para este sábado, dia 26.
Na rede municipal os estudantes não tiveram aula na sexta-feira e o fato surpreendeu pais e alunos. No transporte público municipal, não foi registrado nenhum problema, os ônibus da Viação Tiarajú trafegaram de forma normal até a finalização desta edição.
As Prefeituras de Vitória das Missões e Entre-Ijuís fecharam as portas. Em Santo Ângelo, o executivo e o legislativo também se mostraram solidários ao movimento. As repartições públicas municipais de Santo Ângelo tiveram somente expediente interno, com exceção dos serviços das áreas de Saúde e Educação. O anúncio foi feito no início da tarde da quinta-feira, 24, pelo vice-prefeito Bruno Hesse.
De acordo com Bruno, a decisão tomada pelo Governo Municipal é solidária ao movimento nacional pela redução dos preços dos combustíveis e contrária ao corte do repasse da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE – Combustíveis) aos municípios.
O presidente da Câmara de Vereadores de Santo Ângelo, Everaldo Oliveira, também anunciou a interrupção do atendimento externo no Poder Legislativo. O vereador justificou a medida destacando que o Poder Legislativo está unido na luta por uma política de preços justa para os combustíveis e em defesa do municipalismo.
Já entidades como a ACISA – Associação Comercial e Industrial de Santo Ângelo e o CDL-Câmara de Dirigentes Lojistas de Santo Ângelo declaram por meio de nota, que apoiam o movimento dos caminhoneiros e suas reivindicações. Segundo a nota, a manifestações “São justas e demonstram a necessidade de mais atenção com a classe produtiva como um todo”.

ACORDO
Na noite da quinta-feira, o governo declarou que entrou em um acordo com representantes dos caminhoneiros, com isso a paralisação deveria ser suspensa por 15 dias. Em troca, a Petrobras manteria a redução de 10% no valor do diesel nas refinarias por 30 dias. O governo também prometeu uma previsibilidade mensal nos preços do diesel até o fim do ano, sem mexer na política de reajustes da Petrobras. Mesmo com acordo, caminhoneiros mantiveram os protestos. Em São Paulo, carretas e caminhões permanecem estacionados ao logo de rodovias. O mesmo ocorre em rodovias no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, estado que apresenta 74 pontos de manifestação. Na região as paralisações prosseguiram no entroncamento da BR285, com a ERS 344.

Neste artigo

Participe da conversa