A trajetória de Jonas Demeneghi e o seu legado musical

Jonas Demeneghi iniciou a carreira musical antes dos 15 anos, se tornou multi instrumentista, produtor musical, compositor e intérprete, criou o Estúdio Coletânea e o projeto Na Busca...

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Jonas Demeneghi iniciou a carreira musical antes dos 15 anos, se tornou multi instrumentista, produtor musical, compositor e intérprete, criou o Estúdio Coletânea e o projeto Na Busca da Essência. Casou-se com Carina Fiorim Comerlato com quem teve duas filhas e um filho. Foi um dos produtores das projeções mapeadas da Catedral Angelopolitana e da cidade de Canela, RS. Em 2017 foi diagnosticado com um tipo de câncer muito raro: Linfoma Plasmablástico e faleceu em 22 de novembro, dia do músico. Conheça um pouco da trajetória deste santo-angelense que ganhou reconhecimento estadual com o trabalho voltado a espiritualidade, à música e a arte

Jonas Demeneghi
Jonas Demeneghi

Com 13 anos de idade Jonas Demeneghi já treinava o ouvido ao escutar e reproduzir em um teclado de brinquedo as canções folclóricas que tocavam de hora em hora em um relógio de parede instalado na cozinha de casa. O menino crescia e no tapete do quarto, enquanto o irmão mais velho (Marcos Demeneghi) arranhava um violão, percebia as sequências de notas musicais que formavam os acordes e descobria a matemática da música.

Com o mesmo ‘tecladinho’ de brinquedo fez uma das primeiras apresentações no auditório do Colégio Missões, em evento chamado Missões Artístico. Ao lado do colega Paulo Pólvora levou os colegas ao delírio ao executarem a música – Light My Fire do The Doors. Professores e colegas perceberam a vocação daquele garoto e passaram a incentivar a sua “veia” artística.

Jonas pode ser considerado autodidata, mas também fez aulas de teclado com o professor Vilmar Ávila Brites, que tinha deficiência visual e morava no mesmo bairro que ele. Chegou a estudar piano clássico e com ajuda da família comprou um novo teclado que já permitia ousar um pouco mais, organizou um repertório musical e subiu ao palco da “Música ao Final da Tarde”, ativo no Município de Santo Ângelo naqueles anos, também foi ao Show das Onze, do Brique da Praça, talvez essas duas apresentações foram as primeiras em palcos públicos.

A genialidade daquele garoto com menos de 15 anos despertou a curiosidade de pessoas ligadas à música. Professor Antônio Caubi foi um grande incentivador e abriu oportunidades, professor José Daniel Amarante também convidou para tocar em bandas, professora Jussara Portella sempre abria portas para novas parcerias e apresentações. Com o músico Antônio Caubi e Chica Pool participava de apresentações noturnas em bares e festas. Na banda do professor Daniel, chegou a animar festas de carnaval.

Jonas amadureceu como músico, aprendeu também a tocar violão e iniciou uma carreira mais profissional. Firmou dezenas de parcerias e sempre foi muito querido na cena musical, uma dessas parcerias foi com um músico chamado Juscelino… com quem aprendeu muitas táticas de interação com o público. Tocava semanalmente nos sorteios de uma concessionária de automóveis de Santa Rosa, chamada Casarão e com pouco mais de 15 anos, já tocava nos rodízios de pizza na antiga Lacave de Santo Ângelo.

Com fruto de seu trabalho adquiriu um teclado profissional e apaixonou-se pela produção de acompanhamentos. Mesmo antes de completar 18 anos, adquiriu uma Kombi dirigida por familiares, para atender aos seus compromissos de viagens para tocar na região.

Jonas tocou em diversas bandas, liderou o palco da banda Milênio de Ijuí, Integrou a Banda Faixa Nobre de Santo Ângelo, fez parte do grupo Urutau ao lado de Júlio Matos e Beto Liell, ainda acompanhou músicos em dezenas de festivais.

Optou por uma carreira solo, em que animava festas de casamentos, formaturas, aniversários e jantares dançantes em toda a região. Fez parcerias com cantoras reconhecidas em Santo Ângelo e também fora do estado como Kerly Mess, Deise Aguiar, Jennifer Shaffer, Chica Pool. Recentemente incentivou e acompanhou a carreira de Laura Schadeck que chegou à final do The Voice Kids.

Jonas Também morou e trabalhou na cidade de Ijuí, como produtor musical no estúdio de gravação de Jack Emerson (santo-angelense), onde também aprimorou suas características de produtor musical. Em sua residência em Santo Ângelo, quando ainda morava com os pais, crescia a demanda por playbacks e ficou conhecido pelos acompanhamentos perfeitos e bem produzidos que fazia, resolveu então, montar um estúdio improvisado na sala de casa. Ainda naquele primeiro estúdio produzia jingles e spots publicitários, fez arranjos e gravações para artistas como Marines Siqueira, Noly Moreira, Júlio Mattos, Tiago Ferraz que atualmente lidera o projeto Rock de Galpão, entre muitos outros.

Casou-se com Carina Fiorim Comerlato com quem teve duas filhas e um filho. Continuou animando festas, casamentos e investiu ainda mais no Estúdio Coletânea, chegou a liderar o processo de gravações de shows ao vivo, sendo responsável pela captação do áudio do CD/DVD da Banda Sam Marino feito na Argentina, entre outros trabalhos nesta área.

Jonas também se tornou multi-instrumentista, produtor de sampler, foi professor de iniciação musical de muitos jovens e também fez parcerias musicais duradouras com Claudino de Lucca, Marlise Assman, Noly Moreira, entre outros.

Produziu o Espetáculo Amare, para uma apresentação única em frente a Catedral Angelopolitana. Inovador e apaixonado pela tecnologia digital aprendeu a editar vídeos, principalmente para ilustrar as canções de cunho espiritualista que compôs denominada Na Busca da Essência.

Com os primeiros sintomas da doença, que nem havia sido diagnosticada ainda, foi o responsável técnico pela produção da Projeção Mapeada exibida nos finais de ano na cidade de Santo Ângelo e também ajudou a produzir os espetáculos de natal da cidade de Canela, RS. “O Jonas estava conosco desde o ano passado (2020) quando ajudou a desenvolver o primeiro espetáculo de projeção mapeada na Catedral: Vida. Na sequência, entrou na Fábrica dos Sonhos emprestando sua voz e talento para as narrações dos shows. O espetáculo Vida, inclusive, começa com uma reflexão que ele narrou e construiu o texto, e fala do que é mais importante para nós: a vida, contou o diretor artístico do Sonho de Natal, Elias da Rosa do município de Canela.

Jonas Demeneghi foi diagnosticado em 2017 com um linfoma raro: Linfoma Plasmablástico, mas a música guiou seus passos neste período com a intensificação do projeto na Busca da Essência. Em 2018 teve uma recaída, quando toda a comunidade se mobilizou, a partir do Show Jonas Brothers. Até junho de 2021 se manteve ativo. Mas, a última tentativa de conter o linfoma o deixou, mais uma vez, muito debilitado e a doença atingiu a coluna vertebral, antes de sua passagem, ficou dois meses sem o movimento das pernas e partiu no Dia do Músico, 22 de novembro, profissão que exerceu com tanta dedicação desde muito jovem.

Edição – Marcos Demeneghi

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2 comentários

  1. Noly Moreira Responder

    Realmente foi uma grande perda. O Jonas era um músico completo, arranjador, multi instrumentista além de dominar com maestria edições de áudio e vídeos. Gravei meu segundo CD com ele, quando estava começando com gravações ainda na residência dos pais. Depois do segundo, todos os CDs que fiz foram com ele, além de vídeos clipes que estão no meu canal do YouTube. Falar sobre minha convivência com Jonas daria para escrever um livro. Sua passagem por esse plano deixou um legado que será sempre lembrado por todos nós.

  2. Marlice Assmann Responder

    Grande profissional e pessoa iluminada, tive o grande privilégio de trabalhar com o Jonas, durante pouco mais de 2 anos, fizemos uma bela produção. Serei sempre grata ao amigo/irmão Jonas Demeneghi!