Assombração, tropeiros e lavadeiras. Conheça as histórias de um riacho

Uma queda d’água entre o Bairro Ditz e Dido na zona urbana de Santo Ângelo remete à histórias de tropeiros, assombrações, lavadeiras, ou simplesmente, ao cotidiano dos moradores...

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As nascentes de água que brotam do subsolo escoam pelo terreno e revelam características de nossa geografia. A cidade cresce e o contorno destas “bacias” ficam maquiados pela infraestrutura urbana. O córrego da 6º matéria da série “Quedas d’água” é um exemplo disso. Este curso perene de água nasce na área central do município, é revelado mais intensamente no quarteirão circundado pelas Ruas Marquês de Tamandaré, Rua Conde de Porto Alegre, Avenida Getúlio Vargas e Rua XV de novembro.

Riacho entre o Bairro Ditz e Dido em Santo Ângelo - Foto: Marcos Demeneghi
Riacho entre o Bairro Ditz e Dido em Santo Ângelo – Foto: Marcos Demeneghi

Que riacho é esse

O início deste curso perene de água que dá origem a uma cascata de aproximadamente 3,5 metros está escondido na paisagem urbana de Santo Ângelo. Uma das referências é a galeria que cruza a AV. Getúlio Vargas, na baixada compreendida entre as ruas Marquês de Tamandaré e Conde de Porto Alegre. Uma obra de infraestrutura urbana realizada no passado canalizou a água de nascentes perenes e ainda coleta água da chuva.

Este curso hídrico segue em direção oeste, passa pela sede do Clube Galerno onde se reencontra com a vegetação e revela sua beleza natural. Entre os Bairros Ditz e Dido, outra nascente de água perene brota do chão e junta-se ao córrego. Alguns metros adiante, uma sequência de pequenas quedas d’água antecedem a queda maior, formação natural que faz parte das memórias dos moradores, pois era ali que tomavam banhos refrescantes no verão e também usavam o leito do riacho para a tarefa de lavar a roupa suja.

Queda d'água formada pelo riacho existente na zona urbana de Santo Ângelo, entre os bairros DItz e DIdo - Foto Marcos Demeneghi
Queda d’água formada pelo riacho existente na zona urbana de Santo Ângelo, entre os bairros Ditz e Dido – Foto Marcos Demeneghi

Parada de tropeiros

Outra história que explica como as cidades se formavam no início da colonização, tem relação com os cursos hídricos. Lino Raul Fim mora há 37 anos nas proximidades da cascata e afirma que no passado, exatamente onde existe uma árvore da espécie açoita-cavalo, tropeiros que conduziam gado e mulas paravam, acampavam para dessedentar os animais e descansar das longas viagens, pois naquele lugar havia uma nascente de águas límpidas.
Novos tempos

Este lugar se tornou uma área de preservação permanente, mas o modo de vida urbano também mostra sua face mais cruel e contraditória. Mesmo protegida por lei, moradores descartam lixo nas proximidades, o precioso líquido sai da terra e já entra em contato com o lixo, fruto da industrialização e proliferação dos bens de consumo, ciclo histórico em que a indústria passou a produzir equipamentos, quase descartáveis, incentivando o consumismo e o descarte desenfreado de coisas.
Bolas de fogo e freira sem cabeça

As histórias de assombração que envolvem a nascente que antecede a cascata, são contadas por mais de uma pessoa. S. Lino que ainda mora próximo diz ser testemunha de aparições de uma freira sem cabeça que aparecia nas imediações da vertente. Tereza Veiga morou muitos anos nas proximidades da nascente de água e disse ser testemunha das aparições e barulhos que ocorriam sem explicações naquela área. Ela confirma a história de que antes de ter água encanada muitas pessoas lavavam roupa nas pedras do riacho, do mesmo modo que a esposa do Sr. Lino.

 

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