As “sangas” urbanas de Santo Ângelo

Existem, no mínimo, seis nascentes perenes que dão origem aos fluxos constantes de água doce que cruzam a zona urbanizada do município. Popularmente chamamos de sangas e tecnicamente...

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Existem, no mínimo, seis nascentes perenes que dão origem aos fluxos constantes de água doce que cruzam a zona urbanizada do município. Popularmente chamamos de sangas e tecnicamente são tratadas como cursos hídricos. Em meio às edificações e ruas ainda cruzam três cursos hídricos com maior vazão que recebem o nome popular de arroios.


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As sangas de Santo Ângelo não tem uma identidade definida, ou seja, recebem apenas apelidos e não há registros de nomenclatura oficial. No entanto, com base no mapa cartográfico do Serviço Geológico Brasileiro foi possível conferir quais informações estão alimentando os bancos de dados do Governo Federal, comparando com a realidade do município, identificamos as principais sangas que nascem e percorrem o perímetro urbano.
Embora não tenham nome, elas são registradas com apelidos: Sanga Rogowski, Sanga Cohab (Tchungum), Sanga Galerno, Sanga do Bairro Harmonia, Sanga do Bairro Boa Esperança (esta não consta no mapa) entre outras como as sangas localizadas na zona leste da cidade que desaguam no arroio Santa Bárbara. Também há informações sobre nascentes que afloram na área militar, formam cursos hídricos que deságuam no Itaquarinchim. Outra nascente está em área próxima da URI que vai desaguar no arroio São João.
Também não são encontradas placas de identificação com o nome das sangas e nenhuma lei municipal lhes confere identidade.
Segundo o Fiscal Ambiental da SEMA – Secretaria do Meio Ambiente, Rafael Rieger Ramos, a cartografia oficial que identifica a hidrografia do município foi elaborada pelo exército Brasileiro no ano de 1977. Rafael informa que não foram feitos novos estudos oficiais. Mas por conta da atualização do plano de saneamento básico que está em andamento no município, um novo mapeamento do gênero está sendo realizado.

Arroios
Quanto aos fluxos mais volumosos e conhecidos de água doce que nascem na zona rural e vem ao encontro da zona urbana, identificamos três Arroio. Os arroios tem uma referência histórica para os moradores da cidade de Santo Ângelo e são identificados com nomes conhecidos: São João, Arroio Itaquarinchim e Arroio Santa Bárbara.
Estes conhecidos arroios recebem a água das anônimas sangas, tanto as identificadas nesta matéria, quanto outras que tem origem na zona rural do município que neste conteúdo não foram mensionadas. No perímetro urbano os arroios ainda recebem a água das chuvas, que escoam pelas bocas de lobo e da própria sarjeta das ruas. De modo clandestino, estes mananciais hídricos ainda recebem água de esgoto não tratado.

Para onde vai a água?
O Serviço Geológico Brasileiro disponibiliza uma ferramenta eletrônica que mostra a hierarquia das bacias. Tendo como ponto de partida as nascentes perenes urbanas, identifica-se o seguinte caminho: As sangas desaguam nos arroios: São João, Santa Bárbara e Itaquarinchim, estes três desaguam no Rio Ijuí, que segue para o Uruguai e por fim, para o oceano.
Conclui-se que a água é uma só, ela estabelece fluxos e escorre por diferentes caminhos, eventualmente se acumula em lugares diversos e podemos inferir que a água doce das nascentes, sangas, arroios e rios é a mesma que está na torneira da nossa casa.

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Fatores de influência na qualidade da água
A qualidade da água das sangas e arroios está diretamente relacionada com a consciência ambiental dos moradores, com a coleta seletiva do lixo urbano, com a existência de rede de esgoto sanitário, entre outos. Sem cuidado, a água se mistura com todos estes materiais e fica contaminada.
Portanto, o planejamento urbano realizado pelas administrações municipais também influencia nas ocupações das áreas, o poder público é que autoriza e fiscaliza a construção de edificações, bem como, das áreas de preservação permanentes no perímetro da cidade.

 

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1 comentário

  1. Jânio Fernando Bones Responder

    Esse trabalho deve ser recomendado a todos os agentes políticos públicos e, através das escolas municipais e associações comunitárias da cidade e do interior, à população.

    As matérias jornalísticas desse nivel devem ser incentivadas, seguindo o ditado popular de que, literalmente, preservar a água é cuidar da vida das espécies, a importância cresce.

    Parabéns pela edição, continuemos nessa empreitada.

    Grato.