Os últimos bandoleiros

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… continuação

O Fuzilamento de Arthur Arão

– O animal é perigoso, tragam uma corda e atem os braços para traz.
– Eu sou um militar e vocês pagarão por este crime!
– O Exercito saberá  punir vocês!
– O exército tem coisa mais importantes  que defender bandidos!
Ataram-me os braços para traz e senti ranger o osso quebrado.
Levaram-me para fora, colocaram-me num cavalo e ataram-me os pés sob a barriga do animal. Montaram, puxando minha montaria pelas rédeas.
Não havia uma viva alma nas proximidades.
– Me passa a garrafa de cachaça, pediu o sargento ao soldado Arnbrósio.
– Pelo tamanho do gole que deu, percebi que estava querendo se embriagar Depois a garrafa seguiu na volta.
A marcha seguia lúgubre e silenciosa
Mantinham-se colados como um grupo de ladrões que roubaram algo precioso demais, assusta-se da própria façanha e duvida da capacidade de manter a coisa roubada.
À medida que fomos avançando nos afastamos cada  vez mais de Santo Ângelo.
Compreendi que queriam fazer justiça com as próprias mãos.
Mesmo não sendo possível uma desforra futura, aproveitei cada espaço de tempo que passava para ir analisando cada uma daquelas fisionomias dos que me escoltavam.
Primeiro o sargento, depois, Ambrósio e cada um daqueles cinco pés de porco. Gravava cada um dos  detalhes de seus rostos.
Eu seria capaz de reconhecê-los até no fundo do inferno.
O sargento fez alto embaixo de uma grande árvore-Ambrósio, desamarrara os pés e faz ele descer do cavalo.
Depois me disse friamente:
– Nós vamos te enforcar Arthur Arão!
Instantaneamente lembrei-me da reza do feiticeiro Desidério:
Cordas virão, cordas se partirão
Nem a água, nem o fogo, nem as balas
Sobre o teu corpo prevalecerão
Um ódio, uma revolta terrível contra aqueles chacais, me revoltava as entranhas, mas,eu mantinha uma calma aparente, para que eles não confundissem a minha indignação como um gesto de fraqueza.
Desataram meus pés e apearam-me do cavalo.Um deles desenrolou uma corda  e começou a dar o nó corrediço fatídico. Compreendi que era o fim.
Afinal, um homem tem que morrer. Foi com firmeza que falei:
– Sargento, eu insisto que eu sou militar, e militares não se enforcam. E tenho o direito ao fuzilamento!
O sargento sorriu sarcasticamente.
Para mim tanto faz. Então vamos fazer a coisa, para não dizerem que não entendo de militarismo.
Encostaram-me no tronco de uma árvore.
– Uma coisa a gente tem de reconhecer: Esse homem é valente!
– Que nada ! É um homem comum. E com sua morte terminou o famigerado Arthur Arão!
– Mais alguma coisa?
– Gostaria que me desatassem! Não quero morrer atado. No que foi atendido.
– Quer uma venda nos olhos?
Não, eu não temo a morte. No que foi atendido.
Deu alguns passos e gritou: Soldados. Preparar para atirar!
– Apontar!

… continua na próxima quarta-feira, dia 11/6.

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