Guardião de olhos d’água

Na primeira matéria da série “Água doce” descobrimos que as chuvas regulares são responsáveis pela disponibilidade hídrica em nossa região. Hoje vamos conhecer a história de um “olho...

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Existe um afloramento de água onde mora o casal Ivo Voltz e Roseli Schildt e no ano de 2018 a família aceitou participar de um projeto denominado “Guardiões de Nascentes”. Esta nascente está localizada no interior de Santo Ângelo, no Distrito Buriti e a disponibilidade hídrica daquela geografia, inspirou o nome do lugar, pois o povoado recebeu o nome de Olhos D’Água.

Ivo Voltz em sua propriedade no distrito de Buriti

Ivo Voltz em sua propriedade no distrito de Buriti


Sr. Ivo resolveu participar do projeto Guardiões de Nascentes por interferência da extensionista da Emater, Marcia Dezen, a principal ação consiste em fazer o reflorestamento da área que fica no entorno da nascente, cercar o local para evitar o trânsito de animais e a contaminação da terra por urina e fezes. Ainda é feita a abertura de uma vala que tem a finalidade de criar uma barreira que impedirá o aterramento em caso de enxurradas.

A atitude do Sr. Ivo ajuda que aquele lugar continue propício ao brotamento de água beneficiando vizinhos e futuras gerações, pois as atividades econômicas da família não dependem da nascente. A principal renda da propriedade advém do cultivo da soja, depois o milho, trigo, aveia, entre outras atividades de subsistência.

Depois da nascente que está sendo protegida pelo Sr. Ivo, existem outras, que aumentam o fluxo do córrego, unem-se a água da primeira e formatam um curso de água que tem cerca de 3,5 quilômetros antes de desaguar no Rio Ijuí. Portanto, Sr. Ivo é o guardião de apenas uma das nascentes, a primeira de uma série que dá nome ao córrego Olhos D’Água e ao povoado que fica nas margens daquele fluxo de água.

O relevo do lugar permite que a água da chuva que conseguiu penetrar no solo e ficou guardada em reservatórios subterrâneos, apareça em vertentes conferindo riqueza hídrica aos moradores. No passado, era a única fonte de água existente para todas as atividades dos primeiros moradores do lugar. “Existia uma roda d’água neste lugar” disse Ivo Voltz ele conta que mora há quase 39 anos naquelas terras e a vertente era uma referência para os moradores. Atualmente as famílias bebem água de um poço artesiano e as vertentes nem sempre recebem a devida atenção e cuidados dos moradores.

Guardião de nascentes
Este projeto faz parte de uma política pública da prefeitura de Santo ngelo, realizada por meio da Secretaria de Meio Ambiente, o programa recebeu cinco inscrições em março de 2018, e foi efetivada em apenas duas propriedades. Nesta ação da SEMA os “Guardiões de Nascentes” recebem as mudas, horas de trabalho com máquinas da Prefeitura e o material para o cercamento, bem como orientações dos técnicos da emater e engenheiros da Secretaria.

O Secretário do Meio Ambiente considera baixa a adesão ao programa, pois entende que os proprietários de terras tem receio de receber os agentes da secretaria. Na primeira matéria da série “Água doce” informamos que os proprietários de terras recentemente concluíram o CAR – Cadastro Ambiental Rural e pelo menos, 300 nascentes foram cadastradas.

Mas estima-se que existam bem mais do que isso, os dados mostram o potencial hídrico da região, mas também alerta para a preservação das condições naturais para que a quantidade e a qualidade desta água continue a beneficiar os moradores.

O reflorestamento considerado ideal para nascentes ou olhos d’água perenes é aquela que abrange um raio mínimo de 50 metros.

Técnicos da Emater já detectaram e diagnosticaram que a atividade agrícola na região, tem compactado o solo precarizada a penetração de água no solo. Na década de 90, problemas semelhantes incentivaram a adoção da técnica de plantio direto, mas segundo a agrônoma, Márcia Dezen é necessário realizar manejo adequado de rotação de cultura para que haja condições ideais para o eficiência do sistema. Assunto que vamos tratar na próxima matéria da série Água doce e verificar qual o impacto deste processo na estocagem de água no subsolo.

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Imagem da Cartilha do Código Florestal Brasileiro – Disponível em: http://www.ciflorestas.com.br

 

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