A difícil arte de amar (IV)

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Há momentos em nossas vidas que nos recolhemos – como seres pensantes que somos – não para evasivas e nem para nosso próprio deleite, mas para refletir sobre nosso destino. O que queremos afinal da vida?, então sentimos o quanto o social nos toma tempo. Será um tempo bem investido?, é a pergunta que nos fica. Vivemos um momento inusitado, em que de repente se nos descortina um mundo fantástico, jamais sonhado por nossos pais.
Esse momento, em verdade é um novo tempo, em que os astrônomos denominam “Era de Aquário”, enquanto sabemos que vivemos na “Era da Cibernética”, em que o virtual nos assombra e deslumbra. Este, no momento, é o nosso mais recente entretenimento, enquanto as verdades espirituais – o nosso lado perene, eterno e mais belo – é esquecido ou descuidado.
Parece nem acreditarmos, ou se sim, não estamos preocupados que em todos os continentes do Planeta há pessoas tendo sua pele, sua carne e seus ossos devorados pela fome e pela sede. São adultos, maduros e velhos, jovens e infantes, que vivem num Planeta chamado Terra, esquecidos ou ignorados, enquanto brincamos – ou quase isso – de viver.  Então, será que no espiritual isso conta a nosso favor? Será este plano um escolado satisfatório para granjearmos o acesso ao seleto clube dos justos? Essa de que pagamos os nossos impostos e cumprimos com os nossos deveres de cidadão, vale para “César”, não para Deus.
Diz-nos J. J. Camargo “… que da nossa fauna, a espécie mais bela, mas também mais frágil e solitária, é a humana”, no entanto, salvante nossa família, somos tão indiferentes aos destinos dos outros, que ainda temos o cinismo de chamar “irmãos, enquanto J. J., pelo seu olhar de poeta, nos relata sobre: – “uma canoa abandonada na areia, que servia de uma espécie de refúgio para uma menina de uns 10 anos, malvestida, suja, mas muito bonita. Seu corpo esquálido da pobreza percorreu de pés descalços uma longa extensão da praia em busca de alguma esmola ou algo que lhe espantasse a fome, sem nenhum sucesso.” Ninguém se apiedou dela.
Diante desse quadro, urge que nos sacudamos, repensemos nossas vidas. Será que já percorremos um mundo deserto, totalmente despido de qualquer compaixão, enquanto estávamos necessitados e famintos? Certamente nunca estivemos em tal situação. Mas é de se imaginar a imensidão do desamor e do abandono que teria sentido aquela menina da parte dos homens e mulheres da nossa avançada civilização e tão decantada Terra. Indubitavelmente temos muito que andar e mais ainda a mitigar até que cresçamos.
H. G. Wells nos fala de um mundo libertado, em que haverá um só governo do mundo, cujo líder levará o homem à fraternidade universal.

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