A difícil arte de amar (I)

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Quando a noite nos colhia distantes de casa, e o cavalo era nossa única companhia, podíamos avaliar num pensar solitário, o quanto aquele animal, que então nos conduzia,  era-nos importante e cômodo naquela – vamos dizer – cumplicidade de vida. E isso, certamente, não acontecia somente conosco, talvez em outras ocasiões e pontos da Terra, outros homens e também mulheres, tenham pensado da mesma forma.
Numa conclusão serena, amávamos nossas montarias e quando acabamos com aquela vida de lidas campesinas, liquidando em leilão toda a criação, não lamentamos nada, senão apenas e profundamente nossas montarias. Ficou uma saudade que nunca morre daqueles animais que tanto e resignadamente nos serviram e facilitaram nossas vidas.
Agora, na estação da vida em que nos encontramos, sopesando o ativo e passivo de tudo o que temos produzido na arte de viver, mergulhamos na angústia da dúvida ao nos questionar sobre os sentimentos que cultivávamos naquele universo de vidas que nos cercavam. Será realmente que apenas nossas montarias nos deixaram saudade?, e o mugir comunitário do gado, o uivar distante do sorro, o grito lamuriento da seriema na madrugada, o arrolo da juriti…, não valeram nada?
Quando Jesus recomendou:- “Amai a Deus acima de tudo e ao próximo como a ti mesmo,” talvez poucos tenham entendido como amar. Se  não é algo que se come ou se bebe? E mais, quem é o próximo? Isso há mais de dois mil anos, e em todo esse tempo, outros luminares passaram pela Terra e buscaram despertar em nós um novo entendimento.
Hoje já se fala em “Comunidade Terra” como uma única comunidade, sejam seres  inanimados, animados, racionais ou não, o nosso destino é inexoravelmente interligado, tanto nos nossos infortúnios, como nas nossas alegrias, por isso, mais e mais se difunde a necessidade em despertarmos  uma nova consciência coletiva. Para tanto, é fundamental buscarmos cultivar o sentimento da compaixão, e não impormos sofrimento a outros seres, cujos destinos não devem ser pior ou melhor que os nossos.
G. B. Shaw dizia que os animais eram seus amigos, e ele se recusava comer seus amigos. Já Einstein afirmava que:- “A ordem da vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade”.  Consideremos que diariamente imploramos misericórdia a Deus, enquanto não temos piedade dos animais, para quem somos deuses.

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